Lucro da Petrobras dispara com alta do petróleo; guerra muda fluxos de exportação

Logo da Petrobras na sede da companhia no Rio de Janeiro

Por Rafaella Barros

(Reuters) - A Petrobras registrou um lucro líquido de 54,33 bilhões de reais no segundo trimestre, na esteira da escalada dos preços do petróleo e dos derivados, com alta de 26,8% no resultado ante o mesmo período do ano passado, informou a companhia nesta quinta-feira.

A guerra na Ucrânia, que ajudou a impulsionar os preços do petróleo e os ganhos da companhia, também gerou uma mudança nos fluxos de exportação da Petrobras, que agora passou a ter a Europa como principal destino, já que russos venderam mais à China, antes o maior cliente.

O lucro veio 43% acima do resultado esperado por uma pesquisa da Refinitiv, de 38 bilhões de reais.

O lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda) ajustado totalizou 98,26 bilhões de reais entre abril e junho, ante 61,9 bilhões de reais no mesmo período de 2021.

A receita de vendas da empresa totalizou 170,96 bilhões de reais, frente a 110,7 bilhões de reais em igual período de 2021.

A receita líquida com a venda de derivados no mercado interno registrou um avanço de 58,3% na comparação com o segundo trimestre do ano passado, para 101 bilhões de reais.

Considerando-se todas as vendas ao mercado interno, incluindo petróleo, gás e outros produtos, a receita líquida da empresa cresceu 68,9% na comparação anual, indo a 127,2 bilhões de reais.

"Em termos da composição da receita no mercado interno, o diesel e a gasolina continuaram sendo os principais produtos, respondendo juntos por 73% da receita nacional de vendas de derivados de petróleo no 2T22", disse a empresa, no comunicado ao mercado.

A despeito dos ganhos impulsionados pelos preços --o que gera frequentes protestos do presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro--, a Petrobras anunciou dividendos trimestrais recordes com os resultados obtidos, engordando o caixa da União para fazer frente à implementação de benefícios sociais e cortes de tributos.

A companhia vai pagar 87,8 bilhões de reais aos acionistas, referentes ao resultado do segundo trimestre. Desse total, 32,1 bilhões de reais serão pagos à União, acionista controladora da empresa, ao BNDES e ao BNDESPar, também acionistas da companhia.

"Adicionalmente, recolhemos o total de 77,3 bilhões de reais em tributos e participações governamentais no segundo trimestre. No ano foram cerca de 147 bilhões de reais, um aumento de 92% na comparação com primeiro semestre do ano passado", disse em nota o diretor financeiro e de relacionamento com investidores, Rodrigo Araujo Alves.

Por outro lado, para o pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) Mahatma dos Santos, o anúncio de dividendos recordes revela que a gestão da estatal está mais direcionada ao calendário eleitoral do que aos interesses da sociedade.

"As altas nos preços dos derivados turbinam os dividendos que serão repassados ao governo federal, mas reduzem os investimentos de longo prazo da companhia e impulsionam a inflação", disse Santos.

Os resultados, contudo, permitiram uma forte redução na relação da dívida líquida da Petrobras sobre o Ebitda ajustado, para 0,6 vez ante 1,49 vez no mesmo período de 2021.

A dívida líquida recuou para 34,4 bilhões de dólares, ante 53,26 bilhões ao final de junho de 2021.

EXPORTAÇÕES PARA CHINA RECUAM

A guerra na Ucrânia, que começou em março, mudou os fluxos de exportação de petróleo da companhia. A participação da China nas compras foi de 15% no segundo trimestre, ante 45% no mesmo período do ano passado.

Paralelamente, a destinação de petróleo para a Europa cresceu, indo a 39% de participação, versus 22% no segundo trimestre de 2021.

Com sanções ao petróleo russo, em retaliação à invasão à Ucrânia, os países europeus tiveram que recorrer a outros países exportadores, entre eles o Brasil.

Já as exportações russas, que anteriormente abasteciam a Europa, encontraram destino nos mercados asiáticos, principalmente na Índia e China.

Internamente, as vendas de petróleo também contribuíram para o resultado da Petrobras, uma vez que ela passou a ser fornecedora da refinaria de Mataripe, na Bahia, que em dezembro passou para as mãos da Acelen, do fundo Mubadala

"A receita com petróleo no mercado interno aumentou 45% devido a maiores vendas para a Acelen", disse a empresa.

(Por Rafaella Barros; com reportagem adicional de Roberto Samora)

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