Luis Lobianco estrela filme sobre homofobia e empatia: 'Perdi muita publicidade por falar abertamente sobre mim'

Naiara Andrade
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Foto: Divulgação

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O primeiro protagonista no cinema chegou em dose dupla para Luis Lobianco. No filme “Carlinhos & Carlão”, o ator se desdobra em ambos os personagens, que são extremos opostos, mas coexistem sob a mesma pele. De dia, é o machista grosseirão, que faz piadinhas homofóbicas com os “parças” do futebol. À noite, o gay simpático, que todo mundo quer por perto. A comédia, de Pedro Amorim, acaba de estrear no Amazon Prime Video.

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No longa-metragem, Carlão compra um armário novo. Já em casa, percebe uma luz diferente dentro do móvel. Quando abre sua porta, é empurrado para dentro por um alter ego drag queen de Evaristo (Luis Miranda), o vendedor da loja, que ele destratou. Aí, quem sai de lá é Carlinhos, personificação de tudo o que o brutamonte ataca. No dia seguinte, Carlão não se lembra de nada que aprontou com sua versão leve e bem-humorada.

— O filme tem elementos de “As crônicas de Nárnia”, de “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”... Mas, acima de tudo, é sobre empatia, sobre se colocar no lugar do outro — comenta Lobianco: — Quando alguém só reproduz ódio e violência, está tentando matar dentro de si algo que não tem coragem de externar.

Há dois anos, quando estava em evidência no horário nobre da Globo interpretando o carismático Clóvis da novela “Segundo sol”, o ator se afirmou gay. E, desde que “saiu do armário” aos olhos do grande público, os ataques homofóbicos têm sido frequentes nas redes sociais de Lobianco. “Denunciem, por favor. Ando exausto”, desabafou o carioca de 38 anos no Instagram, em junho último, depois de ler ofensas em foto e vídeo seus com o marido, o pianista Lúcio Zandonadi.

— Sou muito reservado, mas nunca tive problema em falar sobre isso (sua orientação sexual). A gente (os LGBTQIA+) precisa naturalizar a nossa presença em todos os espaços. Somos médicos, advogados, políticos, atores que as pessoas gostam de ver nas novelas beijando pessoas do mesmo sexo ou não. Faço parte de uma geração que assumiu essa responsabilidade e corre riscos. Acho até que já perdi muita publicidade por falar sobre mim abertamente — reflete.

Se as campanhas lhe são escassas, os trabalhos de atuação transbordam. Neste mês, além do filme, Lobianco pode ser visto na série “Diário de um confinado” (Globoplay), no teatro on-line “Parece loucura mas há método” (Zoom), no cabaré on-line “Buraco show” (Instagram) e na nova temporada do “Vai que cola” (estreia dia 30, no canal Multishow).

— Por causa da pandemia, fiquei ansioso o ano inteiro, com uma sensação de inércia. Mas agora vejo que não tenho do que reclamar — diz ele, que testou positivo para a Covid-19 e ficou isolado até a última segunda-feira (dia 9): — Não tenho ideia de como peguei, me cuidei o tempo todo. Dei sorte de ficar assintomático, não senti nada.