Luisa Arraes ironiza casamento: 'Ninguém comenta sobre a desgraça'

O Globo
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O ano que acaba de começar soa desafiador e promissor para a atriz Luisa Arraes. De cara, ela começa 2021 com novas sessões on-line do monólogo “Nunca estive aqui antes”, que já foi exibido ao longo de dezembro e chegou a reunir uma audiência de quase 300 pessoas em uma única apresentação. Diante do sucesso, haverá mais exibições entre os próximos dias 15 e 18. Na montagem dirigida por Nelson Baskerville, Luisa investiga a própria memória para traçar, na ficção, o que chama de “arqueologia” do lugar onde mora, desde que nasceu, salvo algumas mudanças.

Com outros projetos no horizonte, um dos maiores certamente será a gravação do longa "Grande Sertão", adaptação do livro de Guimarães Rosa, dirigida pelo pai da atriz, Guel Arraes. Será a primeira vez que vão trabalhar oficialmente juntos num projeto. O plano é que as cenas comecem a ser gravadas no meio do ano.

Se a agenda já começa cheia, Luisa enfrenta os desafios de peito aberto. “Virei uma pessoa mais corajosa. Essa coisa de compreender tudo o que tenho hoje, com a minha idade e não ter medo de mostrar. Vou entrar em 2021 com coragem e mais paixão pelo que faço, com certeza”, prevê a carioca, de 27 anos, que é capa da revista Ela deste domingo.

Na entrevista, ela falou sobre o "pânico" da superexposição e comentou como lida com a insistente pergunta sobre quando ela e o ator Caio Blat, seu namorado, vão se casar.“Amo responder: ‘Não!’”, diz, antes de soltar uma gargalhada e mandar ver no arsenal feminista. “Uma coisa da qual me orgulho é que, quando você nasce minoria, como mulher, negro e gay, chega ao mundo tendo que estudar, porque ele não foi feito para você. Fico vendo homens da minha idade que não tiveram o mesmo interesse e falo: ‘Poxa, que pena.’”

Nada disso, ela avisa, é uma militância contra o que se convencionou como casamento. É que ficar “sozinha”, na opinião da atriz, tem lá as suas vantagens. “Jamais escreveria se eu não tivesse a solidão. Para mim, é uma coisa fundamental. É dolorida. Quando você se encontra com ela, fica louca. Mas, é fértil. É material para todo artista”, afirma. Tampouco a jovem descarta uma mudança de planos daqui a alguns anos. Só não compreende a visão unilateral que tanta gente insiste em manter acerca dessa forma de união. “Quando me perguntam sobre o assunto, também costumo responder: ‘Ué, gente, mas dá certo? Alguém é feliz?’ Fala-se que o casamento é o ideal, mas ninguém comenta sobre a desgraça, a parte difícil. Acho muito engraçado.”