Luiz Thunderbird: 'Fui ao fundo da dependência química, ficava difícil trabalhar, cumprir horários'

Silvio Essinger

RIO - “O rock morreu, né, Thunder? Ele não é mais como era nos anos 1980...” Quantas vezes Luiz Fernando Duarte, o Luiz Thunderbird, ouviu essa frase, em diferentes formulações? Muitas vezes, pode acreditar. Mas a resposta, essa vive bem na ponta da sua incontrolável língua: “Não, amigo, o rock não morreu. É que você envelheceu! Se você for atrás, vai achar. Ou você investiga na internet ou vai em bueiros assistir shows de pequenas bandas. Só o que você não pode é ficar no seu sofá esperando que o Luciano Huck te apresente isso. Não é papel dele!”

Aos 59 anos de idade completados na quarentena), o VJ que participou da inauguração da MTV Brasil em 1990, líder da banda Devotos de Nossa Senhora Aparecida, ex-dentista, youtubber e podcaster abre agora mais uma frente em suas atividades (boa parte delas interrompida pela pandemia): a de escritor, com o lançamento de “Contos de Thunder – a biografia” (Globo Livros, já à venda). No volume de 392 páginas, ele vai da descoberta da TV e da música na infância em São Paulo aos dias de hoje, passando pelos tempos de deslumbramento com a fama (Thunder deixou a MTV para ter um programa na Globo, o “TV Zona”) e do vício em drogas.

— Eu era o “indirigível Thunderbird” e isso foi determinante para que a coisa não fosse adiante — conta. — Acho que eu era mesmo. Em 1996, 97, a coisa ficou impossível, era um desgoverno absoluto, fui ao fundo da dependência química. Ficava difícil trabalhar, cumprir horários.