Luiza Brunet diz que ainda tem medo do ex que a agrediu e se vê aberta a um novo amor

  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
·3 minuto de leitura
Neste artigo:
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.

Luiza Brunet tem palestrado pelo país sobre o enfrentamento da violência contra a mulher. E fala com conhecimento de causa, afinal, há cinco anos, a modelo denunciou as agressões sofridas pelas mãos do então namorado, Lírio Parisotto. Nesse processo, aprendeu a controlar as emoções para inspirar outras mulheres, mas sabe que feridas como esta não se curam.

— Estava dando uma palestra na fronteira do Brasil com a Venezuela (no dia da entrevista, na última terça-feira, dia 24) e fiquei feliz de ver várias mulheres, mesmo numa região tão simples, tendo coragem de dividir relatos fortes. Nunca cicatriza uma ferida de qualquer agressão. Elas abrem e se fecham dependendo do nosso estado emocional. E eu procuro não esquecer. Eu passei por um sofrimento e tive a oportunidade de transformar tudo isso em uma pauta positiva. Me emociono quando falo, mas aprendi com o tempo a controlar até para estar forte para inspirar as outras mulheres.

O que não significa que a mãe de Yasmin Brunet tenha perdido o medo do seu agressor.

— Agressão é um processo que as mulheres movem e o agressor jamais vai admitir, sempre vai se sentir injustiçado. Isso deixa as vítimas vulneráveis. Tenho e nunca deixarei de ter medo, ainda mais de um homem na posição dele, que tem dinheiro e poder.

Ainda assim, a ativista topou reviver as lembranças desse período tão difícil, mas por uma boa causa. Convidada por Alok, que ao lado dos MCs Hariel, Marks, Dricka, Davi, Leozinho ZS e DJ Victor, estrelou o clipe, produzido pela GR6, de "180". O título faz referência ao número de telefone que recebe denúncias de violência contra a mulher. Mais que um hit, o objetivo dos artistas é divulgar as formas de pedir socorro.

— No clipe, vivo uma mulher de classe média alta que sofre violência doméstica. Ela se empodera e faz a denúncia. É a minha história. E também de muitas mulheres. Quando fui gravar as minhas cenas, o ator que interpreta o meu marido, ficou todo preocupado, justamente pelo que vivi. Mas disse: 'Não se preocupe, estamos representando, o sentimento aqui é outro'. Só que foi punk. Veio mesmo a lembrança muito nítida do que sofri — relembra Brunet, que aparece em cenas com o olho roxo, feito com maquiagem, claro.

A maturidade e o autoconhecimento a permitiram ter força para encarar tudo isso. E, inclusive, se reabrir para o amor. Embora garanta ainda não ter aparecido nenhum pretendente a altura do que almeja.

— Não estou namorando, mas meu coração está abertíssimo. O problema é que o nicho de homens que tenho interesse vai se afunilando. Gosto de mais velhos, diferenciados... Depois dessa experiência que tive, e que achei que seria meu último, não foi. Errei, zero pra mim (risos). Busco algo que seja agregador. Não tenho problema em ficar sozinha, gosto da minha companhia, me satisfaço. Só que obviamente é bom estar apaixonada e ao lado de quem nos faz bem.

O projeto "180"

Os versos da música contam com dramas reais. MC Hariel, por exemplo, presenciou situações degradantes dentro de casa. E se inspirou no momento traumático para compor versos impactantes.

— É uma honra poder dar voz a um assunto tão delicado. E no dia da gravação, não consegui segurar as lágrimas. Eu tinha seis anos quando meus pais começaram a “se enganchar” e foram quatro anos de muitas brigas. Sabia que quando passasse das 20h, e meu pai não estivesse em casa, teria confusão. A cabeça da criança fica “boladona”, marca.

O cantor teve apoio da mãe ao abordar a história. É que fazer um funk mais reflexivo já se tornou uma marca do jovem de 23 anos.

— Minha mãe sempre me incentivou a fazer músicas construtivas que abordem problemas reais da sociedade. É a linguagem perfeita para quebrar barreiras.

Os artistas doaram parte da renda do projeto para o Instituto Maria da Penha e o Instituto Brasil + Social. Alok cedeu os royalties da música para ações que combatem a violência doméstica. .

— A música traz uma mensagem de empoderamento às mulheres e de conscientização aos homens para entenderem o papel nessa luta. Quem não luta pelo outro, já desistiu de si — diz o DJ.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos