Luiza Trajano é destaque no New York Times por política antirracista da Magalu

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The Chairman of the Magazine Luiza Board, Luiza Helena Trajano, during the inauguration of the Defense Police Station and the Women's Reference Center in Franca, Sao Paulo, Brazil, on 26 November 2019. (Photo by Igor Do Vale/NurPhoto via Getty Images)
Empresária tornou-se uma propagadora de questões relacionadas a raça, desigualdade, violência doméstica e falhas no sistema político

(Igor Do Vale/NurPhoto via Getty Images)

  • New York Times publica reportagem sobre ações antirracistas da Magazine Luiza

  • Portal entrevistou Luiza Trajano e contou sobre seu trabalho

  • O destaque vai para o programa de trainees exclusivo para pessoas negras

Não foi só no Brasil que as políticas antirracistas adotadas pela Magazine Luiza chamaram a atenção. Na última sexta-feira (7), o jornal norte-americano New York Times publicou uma reportagem com Luiza Trajano e destacou as ações promovidas pela empresa – e sua dona – em busca de maior equidade entre raças e gêneros.

Na entrevista, Trajano relembrou o programa de trainees destinado exclusivamente a pessoas negras. Criado em 2020 após uma ideia de seu filho, a iniciativa gerou uma onda de comentários, comemorações e muitas críticas.

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No Twitter, usuários subiram a hashtag #MagaluRacista e um legislador próximo ao presidente Jair Bolsonaro chegou a solicitar aos promotores federais uma investigação, sob o argumento de que o programa violava as proteções constitucionais. No entanto, Trajano seguiu firme na defesa da medida.

“Além dos aspectos econômicos e sociais, a escravidão deixou uma marca emocional muito forte, que é uma sociedade de colonizadores e colonizados”, disse ao portal. “Muitas pessoas nunca sentiram que este é o seu país”.

A empresária contou que foi anos atrás, em uma conversa com uma jovem empreendedora negra, que se deparou pela primeira vez com os efeitos devastadores do racismo. A mulher contou que nunca comparecia a happy hours com colegas – a menos que seu chefe pedisse explicitamente –, devido ao sentimento de rejeição em ambientes predominantemente brancos.

O relato sensibilizou Trajano, uma das mulheres mais ricas do Brasil, atualmente no alto de seus 70 anos de idade. A partir daí, tornou-se uma propagadora de questões relacionadas a raça, desigualdade, violência doméstica e falhas no sistema político. Muitos partidos, inclusive, quiseram que ela se candidatasse, e o ex-presidente Lula chegou a elogiar a empresária, em setembro passado, em um texto divulgado pela revista Time, que a elegeu como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo.

“Em um mundo onde bilionários queimam fortunas em aventuras espaciais e iates, Luiza se dedica a um tipo diferente de odisséia”, escreveu o petista. “Ela assumiu o desafio de construir um gigante comercial e ao mesmo tempo construir um Brasil melhor”.

Embora não pretenda se candidatar à política, Trajano é uma voz ativa em debates, especialmente por meio de um grupo de mulheres líderes que criou em 2013. O objetivo é promover a paridade de gênero em todas as esferas e criar estratégias de enfrentamento a problemas de saúde, educação, habitação e mercado de trabalho.

No que diz respeito ao programa de trainees para pessoas negras, Trajano é enfática ao dizer que, nos anos anteriores, as turmas eram predominantemente brancas. Fato, inclusive, que nunca atraiu críticas ou ações judiciais e governamentais.

Atualmente, a Magazine Luiza conta com mais de 1.400 lojas e investe na criação de uma cultura para que os trabalhadores sigam comprometidos com o sucesso da marca.

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