Belarus permitirá trânsito de grãos ucranianos em troca de acesso a portos do Báltico

Presidente de Belarus, Alexander Lukashenko

(Reuters) - Minsk está pronta para permitir o trânsito de grãos da Ucrânia para os portos do Mar Báltico via Belarus se o país for autorizado a enviar mercadorias bielorrussas por meio desses portos, disse a agência de notícias Belta, citando o líder de Belarus, Alexander Lukashenko, nesta sexta-feira.

A Ucrânia, um grande exportador mundial de grãos, não pode usar seus portos no Mar Negro desde que a Rússia enviou milhares de soldados para o país em 24 de fevereiro.

Exportações da Ucrânia via Belarus têm sido uma das opções nas discussões lideradas pela Organização das Nações Unidas (ONU) que visam impulsionar o fornecimento global de grãos, à medida que uma grande crise alimentar se aproxima. O desbloqueio dos portos da Ucrânia no Mar Negro é outra opção.

Em telefonema com o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, na sexta-feira, Lukashenko disse que Belarus está pronta para liberar a capacidade necessária em sua ferrovia para os grãos da Ucrânia e propôs negociações entre Belarus, Ucrânia e países que estão prontos para fornecer acesso a seus portos, disse a agência Belta.

"Ao mesmo tempo, o mais importante, como foi mencionado durante a conversa, é que esses portos --na Alemanha, Polônia, Estados Bálticos ou Rússia --também estejam abertos para mercadorias bielorrussas", informou Belta.

"Se as condições forem criadas para o trânsito de grãos ucranianos, os portos que irão manuseá-los também devem poder carregar mercadorias de Belarus", acrescentou.

Belarus, um grande produtor mundial de potássio, foi atingido por duras sanções ocidentais em 2021-2022 que interromperam suas exportações de fertilizantes através dos portos do Mar Báltico.

As sanções financeiras impostas a Moscou desde 24 de fevereiro também atingiram os exportadores russos de fertilizantes e prejudicaram a cadeia de abastecimento global, o que aumenta o risco de uma crise alimentar.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, advertiu no início desta semana que qualquer acordo para desbloquear os embarques de commodities da região ainda estava longe porque "o fato de que tudo está interligado torna a negociação particularmente complexa".

Rússia e Belarus culparam as sanções ocidentais por interromper as exportações de grãos e fertilizantes e causar o risco da crise alimentar global.

(Reportagem da Reuters)

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