Lula é inocente ou não? Antes do debate na Globo, apoiadores do ex-presidente e de Bolsonaro disputam narrativa nas redes

A menos de uma hora para o início do último debate presidencial, apoiadores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do presidente Jair Bolsonaro (PL) vão às redes para discutir a situação jurídica do petista. Os assuntos "Lula inocente" e "Lula não foi inocentado" ocupam, respectivamente, o segundo e quarto lugar nos trending topics do Twitter. Entre abril de 2018 e novembro de 2019, o candidato esteve preso na sede da Superintendência da Polícia Federal do Paraná, em Curitiba. Posteriormente, os processos nos quais foi condenado foram anulados.

A reação da web na noite desta sexta-feira vem acompanhada da decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de que a emissora Jovem Pan conceda direito de resposta ao ex-presidente sobre a Lava-Jato, após declarações de jornalistas do canal.

Diante da repercussão, lulistas comemoram. "O melhor presidente do Brasil", escreveu um apoiador junto a uma foto de comício. Outra eleitora publicou que a inocência de Lula está prevista na Constituição Federal, outorgada em 1988.

Do outro lado, bolsonaristas publicam mensagens com a versão de que Lula não teria sido inocentado e que estaria solto por uma suposta "manobra do STF".

Um vídeo em que o deputado federal André Janones (Avante) critica Lula também é usado como munição. O parlamentar que coordenou a campanha do petista nas redes já foi crítico do político. Em entrevista a um podcast, ele falou sobre o aparelhamento que o ex-presidente teria feito no estado.

O ex-presidente ficou 580 dias preso na sede da Superintendência da Polícia Federal do Paraná, em Curitiba. A prisão ocorreu em abril de 2018 por sentença em primeira instância do então juiz Sergio Moro no processo do triplex do Guarujá. Enquanto preso, ele também foi condenado no caso do sítio de Atibaia.

Em novembro de 2019, Lula foi solto por decisão do STF. A partir daquele mês, réus passaram a poder ser presos apenas quando não coubesse mais recursos. O STF também entendeu que Moro foi parcial no julgamento de Lula, assim como identificou que algumas normas não foram respeitadas.

Os processos foram para a Justiça Federal de Brasília, onde foi reconhecida a prescrição, ou seja, que o prazo para a condenação já havia acabado. Assim, os processos foram anulados, mas não houve absolvição.

A imparcialidade dos procuradores da operação e de Moro também foi reconhecida pelo Comitê de Direitos Humanos da ONU, em abril deste ano.