Lula é a pedra no sapato da relação de Bolsonaro com Argentina

Janaína Figueiredo

O principal elemento da rixa entre os presidentes Jair Bolsonaro e Alberto Fernández é Luiz Inácio Lula da Silva. O chefe de Estado brasileiro nunca conseguiu digerir o fato de seu colega argentino ter visitado Lula na prisão durante a campanha presidencial do país vizinho. E, muito menos, ter defendido sua liberdade no discurso de comemoração da vitória, na noite de 27 de outubro passado.

Lula é uma pedra no sapato do relacionamento entre Brasil e Argentina. E por mais esforços que fizer o governo argentino, continuará sendo, já que, para Fernández, a amizade e parceria com o ex-presidente brasileiro não é negociável.

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O chefe de Estado argentino fez alguns gestos de conciliação, como sugerir que a presença de Lula não era recomendável em sua posse, em dezembro. Também foi evitado o comparecimento do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Essas atitudes, entre outros fatores, facilitaram a ida do vice-presidente Hamilton Mourão a Buenos Aires.

São breves momentos de oxigênio, numa relação que, nas palavras do novo embaixador argentino no Brasil, o ex-candidato presidencial Daniel Scioli, está “estressada”. Em grande medida, porque o governo Bolsonaro jamais aceitará o respaldo de Fernández a Lula, amigo, também, da ex-presidente e atual vice do país, Cristina Kirchner.

A partir desse desencontro, surgem muitos outros sobre comércio, Venezuela, Bolívia e relações com os Estados Unidos de Donald Trump. Para Bolsonaro, o presidente da Argentina é socialista e prega medidas econômicas que vão na contramão do caminho traçado por seu ministro da Economia, Paulo Guedes. Hoje, Brasil e Argentina estão separados por uma enorme lista de divergências, e nela, o nome de Lula tem um lugar de destaque.