Lula é recebido de braços abertos em uma COP27 carente de heróis

Recebido como herói da causa ambiental, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva empolgou nesta quarta-feira (16) os ativistas presentes na COP27, um tanto desanimados com o forte dispositivo de segurança e o isolamento da conferência.

"Minha impressão é de uma virada depois de uma onda de direita populista e antiecológica", declarou à AFP Melissa Yokoe Ashbaugh, estudante da universidade americana de Connecticut que observava os apoiadores de Lula que o esperavam.

"Lula representa uma mudança política para a América Latina. É uma virada para a proteção do planeta, da Amazônia, dos direitos humanos, dos direitos dos povos indígenas", afirmou Adrián Martínez Blanco, da organização ambiental costarriquenha La Ruta del Clima.

Ambos os ativistas se interessaram em assistir à participação no COP27 do veterano político de 77 anos, que conseguiu um incomum retorno à política após ser preso por acusações de corrupção.

Os agentes de segurança da ONU tiveram que fechar, por excesso de público, o acesso à sala onde discursou o presidente eleito, que, apesar da voz rouca, mostra vitalidade em suas aparições públicas.

- Atos públicos e privados -

No balneário egípcio, Lula alterna os atos públicos e os encontros bilaterais, segundo sua equipe. "O Brasil está de volta", declarou o petista, suscitando o entusiasmo e os aplausos de seus fãs brasileiros, mas também de dezenas de curiosos, incluindo delegados oficiais.

"A atmosfera está cheia de esperança e expectativas", disse um comunicado do World Resources Institute.

Na plateia, destacou-se o presidente da COP27, ministro das Relações Exteriores do Egito, Sameh Shukri, que fez uma pausa nas complexas negociações para a declaração final da conferência.

A efervescência causada por Lula amenizou o morno impacto da sociedade civil nesta conferência organizada no extremo sul do Sinai egípcio, em uma região isolada inclusive do balneário de Sharm el-Sheikh.

Frente às imagens de dezenas de milhares de manifestantes na conferência de Glasgow no ano passado, e de outras COPs agitadas dentro e fora dos ambientes das negociações, este ano o evento ocorre na calmaria.

Segundo a Presidência egípcia, a conferência reuniu mais de 45.000 pessoas. Mas todos os dias apenas algumas se reúnem fora ou dentro do enorme centro de convenções, para gritar slogans ou distribuir panfletos.

A 27ª Conferência do Clima da ONU não ficará para a história das COPs pela mobilização ambientalista, mas pela presença de policiais à paisana e pela obtenção de dados dos participantes, o que gerou protestos de várias delegações.

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