Lula é recebido por Macron, principal antagonista de Bolsonaro na Europa

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RIO — O ex-presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou com o presidente da França, Emmanuel Macron, nesta quarta-feira, em uma visita que fez ao Palácio do Eliseu, sede do governo francês. O europeu é um dos principais antagonistas ao presidente brasileiro, Jair Bolsonaro (sem partido), no continente. Os dois já entraram em atritos diretos devido às políticas ambientalistas no Brasil e à preservação da Amazônia.

A recepção dada por Macron a Lula contrasta com a relação do francês com seu par brasileiro — durante a última cúpula do G20, os dois líderes pouco interagiram. Em contrapartida, o presidente francês — cuja mulher já foi alvo de ofensas pessoas por parte de Bolsonaro — recebeu o petista seguindo o protocolo comumente feito à chefe de Estados.

Como havia antecipado no dia anterior, durante uma palestra que deu ao Instituto de Estudos Políticos de Paris (Sciences Po), Lula e Macron discutiram a cooperação entre países europeus e da América Latina,os desafios sociais e econômicos após a pandemia da Covid-19 e os impactos das mudanças climáticas. O encontro faz parte da agenda que o petista tem feito na Europa, para onde viajou no dia 11 deste mês.

Acompanhado pelos ex-ministros Celso Amorim e Aloizio Mercadante, Lula se aproveitou da imagem desgastada do presidente Bolsonaro no cenário internacional para se reunir com líderes do continente europeu e criticar seu principal adversário nas eleições do ano que vem. Segundo pesquisas recentes, o petista aparece na frente de Bolsonaro nas intenções de voto para o pleito presidencial de 2022.

Na palestra que deu a Sciences Po, Lula criticou a condução do atual presidente na crise sanitária e descreveu o governo Bolsonaro como um negacionista da ciência:

— Dez anos depois, os desafios fundamentais da humanidade continuam os mesmos. A urgência de enfrentá-los é que vai se tornando maior. Uma urgência agravada pela pandemia que segue devastando especialmente as populações dos países mais pobres, além daqueles cujos governos negaram a Ciência ou, pior ainda, investiram na morte, como ocorreu no Brasil.

O mesmo tom foi usado no discurso que fez ao Parlamento Europeu, na Conferência de Alto Nível da América Latina, promovida pelo bloco social democrata da Casa. O evento aconteceu na segunda-feira e, em tom de campanha, Lula criticou Bolsonaro e defendeu as políticas adotadas durante o seu governo e da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

— Quem vive hoje no Brasil, ou acompanha o noticiário sobre o país, tem todos os motivos para estar pessimista. Mas aonde quer que eu vá, faço questão de dizer: o Brasil tem jeito, apesar do projeto de destruição colocado em prática por um bando de extremistas de direita sem a menor noção do que seja cuidar de um país e de seu povo — disse Lula.

Durante a viagem à Europa, o ex-presidente se encontrou com o futuro chanceler da Alemanha, o social-democrata Olaf Scholz, sucessor de Angela Merkel — com que Bolsonaro também já teve atritos por causa da pauta ambiental. Durante a cúpula do G20, o presidente brasileiro esteve numa mesma mesa que Scholz, mas preferiu interagir mais com o presidente turco Recep Tayyip Erdogan, líder visto como autoritário e com quem Bolsonaro tem mais afinidade. Na ocasião, o alemão acabou dando as costas ao brasileiro para falar com o premier inglês, Boris Johnson.

Lula também se encontrou com o Alto Representante das Relações Exteriores da União Europeia, Josep Borrell, no último domingo. Já na terça-feira, o petista se reuniu com a prefeita de Paris, Anne Hildago. Na quinta-feira, o ex-presidente seguirá para a Espanha, onde se encontrará com o presidente espanhol, Pedro Sánchez. Em seguida, encerrará a viagem na Europa.

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