Lula alerta para crescimento da extrema direita, mas confia na derrota de Bolsonaro

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Paris em 17 de novembro de 2021 (AFP/Christophe ARCHAMBAULT)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assegurou nesta quinta-feira (18) em Madri que a extrema direita se fortaleceu em vários países, mas acredita que o ultraconservador Jair Bolsonaro será derrotado nas eleições de 2022, para as quais ainda não confirmou se irá se candidatar.

“O povo da direita cresceu. Eu vim da França agora, rapaz, e tem mais extrema direita do que antes”, lançou o ex-presidente brasileiro (2003-2010), que também citou o Chile como exemplo desse fenômeno, durante o primeiro ato na Espanha de sua turnê pela Europa.

O líder do Partido dos Trabalhadores (PT), de 76 anos, chegou a Madri depois de passar pela Alemanha, onde se encontrou com o provável futuro chanceler Olaf Scholz, em Bruxelas e pela França, onde se reuniu com o presidente Emmanuel Macron.

Atual favorito nas pesquisas, Lula disse no mês passado que definirá no início do ano que vem se lançará sua candidatura às eleições presidenciais de outubro de 2022, nas quais enfrentaria Bolsonaro em um clima de forte polarização na América do Sul.

Sem nomeá-lo diretamente, o líder de esquerda se referiu ao seu possível adversário durante uma conferência sobre a recuperação regional pós-covid na Casa da América de Madri, onde estava acompanhado, entre outros, pelo ex-presidente do governo espanhol, o socialista José Luis Rodríguez Zapatero.

"Jamais imaginei, após a Constituinte de 88, que a gente fosse ter uma figura grotesca, um ogro, como aquele cidadão", disse Lula, referindo-se a Bolsonaro.

"Ele não pensa. Ele não articula nada", continuou.

"Ele nunca visitou uma pessoa que estava com covid-19. Nunca visitou uma família. Ele gosta mesmo é de andar de motocicleta. O povo brasileiro vai dar uma motocicleta pra ele sumir”, acrescentou.

Conforme anunciado por sua equipe, Lula deve se reunir nesta sexta-feira com o presidente do governo espanhol, o socialista Pedro Sánchez, no principal compromisso de sua agenda em Madri, onde também se encontrará com dirigentes sindicais e entidades progressistas.

De volta ao cenário internacional, Lula pode mais uma vez concorrer à liderança da maior economia latino-americana depois de ter recuperado seus direitos políticos em março, quando foram anuladas as condenações por corrupção contra ele, uma das quais o deixou preso por quase 18 meses, entre 2018 e 2019.

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