Lula amplia espaço de partidos de centro e oferece 3 ministérios ao PSD e 3 ao União Brasil

Na reta final da formação de seu time de ministros, o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), decidiu ampliar o espaço de partidos de centro no governo e dar três ministérios para o União Brasil e outros três ao PSD, o mesmo número de pastas que ficarão com o MDB, outra sigla que deve formar sua base no Congresso. Para isso, contudo, terá que rifar petistas para quem já havia prometido cargos na Esplanada. O anúncio dos últimos ministros está marcado para ocorrer na manhã de sexta-feira em Brasília.

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Pelo desenho traçado em conversas nesta quarta-feira, o União Brasil ficaria com Integração Nacional, Comunicações e Turismo, enquanto o PSD teria Agricultura, Minas e Energia e Pesca. Caso entregue Comunicações ao União Brasil, porém, Lula terá de desalojar o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), para quem já havia sido prometida a pasta.

Quanto ao União Brasil, ainda há um impasse em relação ao nome do deputado federal Elmar Nascimento (BA), líder da bancada e o indicado para assumir Integração Nacional. Petistas, porém, resistem ao seu nome e tentam convencer Lula a não levar o deputado para o governo. Lembram que, durante a campanha eleitoral, Nascimento fez discursos nos quais chamava Lula de “ex-presidiário” e “condenado”, além de ser um ferrenho opositor do PT em seu estado.

Por outro lado, integrantes da bancada do União Brasil, que terá 59 deputados em 2023, afirmam que não há segunda opção no partido para a pasta e, caso não fique com Nascimento, o partido poderá se declarar independente ou até oposição no Congresso. O União Brasil é a terceira maior bancada da Câmara, atrás de PL e PT e poderá vir a ser o fiel da balança em votações de interesse do Palácio do Planalto. Interlocutores do deputado afirmam ainda que, durante as negociações da “PEC da Transição”, da qual foi relator, emissários de Lula sinalizaram que ele poderia ganhar a Integração Nacional.

Tão logo ficou claro que o PT o impediria de assumir, o atual líder do União foi para Alagoas com Lira, onde foram debater o cenário político. A decisão também rachou o União Brasil. O atual presidente, Luciano Bivar, ficou isolado porque, segundo correligionários, tentou se cacifar para ocupar a pasta da Integração.

Em meio à rejeição ao nome de Nascimento, Bivar, fez questão de assinalar, segundo aliados, que a direção da legenda não foi "comunicada de nada". As negociações para a adesão do partido ao governo têm sido tocadas pelo senador Davi Alcolumbre (AP), que nesta quarta-feira surgiu como nome alternativo ao de Nascimento na Integração ao lado da senadora eleita Professora Dorinha Rezende (TO).

Caberá a Alcolumbre também a indicação de um nome do partido para o Turismo. O deputado federal Juscelino Filho (MA) é hoje o mais cotado para o posto. Já para Comunicações, o deputado Paulo Azi (BA) é quem aparece com mais chances.

No PSD, o senador Carlos Fávaro deve assumir Agricultura e o senador Alexandre Silveira Minas e Energia. Para contemplar a bancada do partido na Câmara, o deputado federal André Paula (PSD-PE) deve ficar com o Ministério da Pesca, que será recriado por Lula.

A oferta da Pesca para a bancada da Câmara foi vista por deputados da sigla como uma espécie de "troféu de consoloção" após o veto ao nome do deputado Pedro Paulo (RJ), que era cotado para assumir o Turismo.

Diante da possibilidade de entregar o Ministério das Comunicações ao União Brasil, Lula avalia oferecer a Teixeira o Ministério do Desenvolvimento Agrário, que dias antes havia sido ofertada ao líder do PT na Câmara, Reginaldo Lopes (MG).

Reginaldo era dado como certo no Desenvolvimento Agrário até a tarde de quarta-feira, chegou a conversar por telefone com Lula pela manhã acertando o convite, mas a dança das cadeiras para contemplar partidos de centro afetou o destino de petistas na Esplanada. Após se reunir com o presidente eleito em um hotel em Brasília na noite de hoje, Lopes confirmou que não será mais ministro.

Em uma conversa há duas semanas, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, pediu diretamente a Lula que desse a Teixeira um ministério. A dirigente argumentou que seria necessário contemplar as diferentes correntes internas do partido.

Secretário-geral, segundo cargo mais importante na hierarquia do partido, Teixeira faz parte da corrente Resistência Socialista e, na argumentação de Gleisi, representa a segunda força interna do PT, atrás apenas da CNB, a maior e da qual Lula faz parte.