Aliança de Lula com Janones é trunfo e ou 'prêmio de consolação'?

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Brazilian presidential candidate for the leftist Workers Party (PT) and former President (2003-2010), Luiz Inacio Lula da Silva (L) speaks with ex-presidential canditate for the Avante Party, Andre Janones, during a meeting in Sao Paulo, Brazil, on August 4, 2022. - Janones withdrew from running for president in support of Lula da Silva's candidacy. (Photo by NELSON ALMEIDA / AFP) (Photo by NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images)
O ex-presidente Lula com seu novo aliado, André Janones (Avante-MG). Foto: Nelson Almeida/AFP (via Getty Images)

“Se ele for na televisão e falar bem, eu ganho a eleição”.

Foi o que afirmou o ex-presidente Lula (PT) em agosto do ano passado durante uma viagem a São Gonçalo do Amarante, região metropolitana de Fortaleza (CE), ao ser perguntado sobre suas rusgas com o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT).

"Minha mãe me dizia para não brigar, por isso se um não quer, dois não brigam. Estou aberto a conversar com quem quiser falar comigo”, completou o petista.

Era uma piscadela e tanto do hoje presidenciável em direção ao ex-ministro que só o esculhambava desde as eleições de 2018.

O resto da história é conhecido. Ciro nunca devolveu o flerte, corre sozinho para sua quarta (e, segundo ele, última) disputa presidencial enquanto Lula sai catando as migalhas dos balões de ensaio de partidos menores em direção ao Planalto.

Na quinta-feira (4/9), para surpresa de ninguém, Lula recebeu apoio do deputado e ex-futuro-presidenciável do Avante André Janones (MG). Apoio é apoio e, numa disputa tão acirrada como esta promete ser, qualquer traço de audiência pode ser fundamental para decidir a eleição logo no primeiro turno.

Lula tenta desde que voltou à vida pública emular Tancredo Neves em 1985 e montar em seu entorno uma frente realmente ampla para deter o candidato da ditadura. Deu certo até a segunda página.

O flerte com Ciro e o PDT, como se sabe, não foi correspondido. O pedetista bateu o pé e vai à disputa com seus parcos, mas fundamentais para os rumos da eleição, 8% dos votos, segundo o Datafolha.

Os acenos ao União Brasil foram só em parte devolvidos. Luciano Bivar, presidente da sigla, saiu oficialmente da disputa e, seja lá quem for escolhido para concorrer em seu lugar, já não terá tempo nem disposição para alterar de modo significativo o cenário.

O petista sonhava também em chegar à disputa com o MDB em peso em seu palanque. Ele até tem apoio de diretórios importantes da legenda, mas não conseguiu o que mais queria: tirar Simone Tebet do páreo e forçar.

Tebet mal pontua nas pesquisas, mas tem tempo de TV e estrutura partidária (mesmo que pela metade) para crescer. Isso se não entrar em campo o cálculo do voto válido, no qual uma parcela dos eleitores deixa de votar em seu candidato favorito para escolher quem está mais bem posicionado nas pesquisas para impedir a vitória do candidato que mais rejeita.

O fato é que a senadora sul-mato-grossense está no jogo, muito em razão das feridas nunca supuradas entre petistas e o ex-presidente Michel Temer, que ainda dá muitas das cartas no MDB.

Lula largou com uma base de apoio formada por sete partidos (PT, PSB, PSOL, PCdoB, Rede, PV e Solidariedade). Com o apoio de Janones, ganha um aliado novo, com bom trânsito entre eleitores jovens e grande inserção nas redes sociais. Ganha também um reforço para a campanha em Minas Gerais, um estado-chave onde o partido não tem candidato próprio a governador —no estado Lula vai apoiar o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, que aparece bem atrás do atual governador Romeu Zema (Novo) nas pesquisas.

Além de Janones, Lula por pouco não viu também o Pros bandear para seu lado e tirar do jogo o coach Pablo Marçal. Mas a disputa pelo comando do partido não permitiu que ele batesse o martelo.

A movimentação no tabuleiro é uma resposta à melhora da imagem de Bolsonaro entre os eleitores que ganham até dois salários e passaram a receber R$ 200 a mais do Auxílio Brasil a dois meses da eleição. Lula ainda lidera neste segmento, mas a distância tem diminuído.

Esses pontos perdidos podem ser compensados com os votos dos nanicos?

A resposta é uma incógnita.

As próximas pesquisas, já com a lista de candidatos decantada e atualizada, dirão se os apoios recém-recebidos pelo petista são o que restou de uma frente mais manca que ampla ou se foi uma jogada de mestre.

Em tempo. Quem gosta de uma boa história de terror slash e suspense não pode perder os próximos capítulos da série “A República de Alagoas”, um remake do grande sucesso dos anos 1990. A série é protagonizada e dirigida pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), que em sua guerra declarada contra o conterrâneo Arthur Lira (PP-AL) pelo comando do Congresso na próxima legislatura acaba de lançar a candidatura de Jullyene Lins a deputada estadual pelo MDB.

Lins é ex-mulher do atual presidente da Câmara, a quem já acusou de agressão, ameaça e outras cositas más.

A série tem ainda no elenco tem ainda um coadjuvante recém-convertido ao bolsonarismo que já foi presidente, luta contra a decadência, e precisa levantar uma bolada para quitar as dívidas de suas empresas. É puro suco de Brasil.

Em tempo 2. Morto nesta madrugada, aos 84 anos, Jô Soares foi durante décadas um oásis de vida inteligente na TV aberta. Em suas cada vez mais raras manifestações, se mostrou um ácido crítico dos rumos do país sob Jair Bolsonaro em colunas de opinião nas quais mostrava a fina pena da ironia. Fará muita falta. Já faz.

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