EUA exigem acordo com Europa sobre pacto nuclear com o Irã até 12 de maio

Viena, 16 mar (EFE).- Os Estados Unidos exigiram nesta sexta-feira um "acordo suplementar" com Reino Unido, França e Alemanha nos dois próximos meses para continuar no tratado internacional sobre o controverso programa nuclear do Irã.

A possibilidade de os EUA, com seu novo secretário de Estado, Mike Pompeo, mudarem de critério sobre o programa nuclear iraniano dominou hoje a reunião trimestral da comissão que dá seguimento ao pacto assinado com o Irã em 2015.

Brian Hook, diretor-geral de política no Departamento de Estado, disse após a reunião que os EUA pretendem conseguir com seus três parceiros europeus um "acordo suplementar" até o dia 12 de maio para eliminar as "deficiências" do pacto nos próximos dois meses.

Até essa data, a Casa Branca deve decidir se mantém suspensas suas sanções nucleares contra o Irã ou se as reativa.

"Os EUA e a Europa precisam chegar a um acordo para se manter no pacto. Nosso objetivo é chegar a um entendimento para fortalecer o tratado", afirmou o funcionário americano em entrevista coletiva.

Para isso, Washington mantém conversas constantes com os aliados europeus que assinaram há três anos o histórico acordo junto a EUA, Rússia e China.

Até agora, "foram boas discussões. Há pontos de acordo e de desacordo. O presidente (Donald Trump) nos instruiu a ver se podemos chegar a um acordo daqui até 12 de maio", disse Hook.

O governo americano insiste que os europeus devem reagir ao programa balístico do Irã e contra suas atividades que desestabilizam a região do Oriente Médio, sobretudo na guerra da Síria.

"Apesar dos generosos benefícios (do acordo), o Irã está prejudicando a paz e segurança na região", afirmou o diretor americano.

Por sua vez, o vice-ministro das Relações Exteriores e negociador nuclear iraniano, Abbas Araghchi, afirmou hoje após a reunião que por enquanto todas as partes do acordo continuam comprometidas com o pacto.

"Recebemos pleno apoio ao acordo nuclear por parte de todos os participantes da comissão. Inclusive a delegação dos EUA indicou que está comprometida com suas obrigações enquanto não recebe outras instruções", disse o negociador iraniano.

"Todos querem manter o acordo no seu lugar, todos querem continuar comprometidos com suas obrigações", acrescentou Araghchi.

Já a Comissão Europeia (CE) afirmou hoje em comunicado emitido após a reunião que "todos os participantes indicaram sua contínua adesão aos compromissos do acordo".

Além disso, a CE "destacou a necessidade de garantir sua implementação efetiva com boa vontade em um ambiente construtivo", conclui o comunicado europeu.

Na última quarta-feira, Araghchi tinha dito em Teerã que "os americanos levam a sério o abandono do acordo nuclear, e a destituição do secretário de Estado, Rex Tillerson, aconteceu com este intuito, ou pelo menos é uma das razões".

O tratado, assinado em 2015 pelo Irã e seis grandes potências - EUA, Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha - estipula grandes limitações ao programa nuclear iraniano em troca da suspensão das sanções internacionais contra esse país.

No entanto, Trump é muito crítico ao acordo alegando que o Irã viola seu espírito ao continuar desenvolvendo mísseis balísticos que podem, no futuro, transportar armas nucleares. EFE