Lula ataca EUA e diz que não houve soldado em Cuba ajoelhado em um negro: "O que está acontecendo para falarem tanto?!"

·4 minuto de leitura
Former Brazil's President Luiz Inacio Lula da Silva gives a statement to the media after being detained for questioning in a federal investigation of a bribery and money laundering scheme in Sao Paulo, Brazil, March 4, 2016. REUTERS/Paulo Whitaker      TPX IMAGES OF THE DAY
O ex-presidente brasileiro foi irônico ao falar sobre os protestos contra o governo cubano, que foram recebidos com repressão por parte do governo (Foto: REUTERS/Paulo Whitaker)
  • O ex-presidente Lula defendeu nesta terça-feira (13) o governo de Cuba após os protestos que ocorrem no país desde o último domingo (11)

  • Como um dos argumentos, Lula comparou a ação dos militares da ilha com a truculência policial nos Estados Unidos

  • Ex-presidente atacou os EUA, alegando que a ilha cubana sofre "60 anos de bloqueio econômico, ainda mais com a pandemia, é desumano"

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta terça-feira (13) o governo de Cuba após os protestos que ocorrem em diversas regiões do país, desde o último domingo (11). Como um dos argumentos, Lula comparou a ação dos militares da ilha com a truculência policial nos Estados Unidos.

"Já cansei de ver faixa contra Lula, contra Dilma, contra o Trump... As pessoas se manifestam. Mas você não viu nenhum soldado em Cuba com o joelho em cima do pescoço de um negro, matando ele... Os problemas de Cuba serão resolvidos pelos cubanos", escreveu o ex-presidente em uma rede social.

Leia também

Lula referia-se aos casos de violência policial nos EUA contra pessoas negras. Um dos episódios mais recentes — ao menos em comoção global — foi o assassinato de George Floyd, morto pela polícia americana em 2020

O ex-presidente brasileiro foi irônico ao falar sobre os protestos contra o governo cubano, que foram recebidos com repressão por parte do governo. De acordo com a agência Reuters, ao menos 100 manifestantes, ativistas e jornalistas foram presos.

"O que está acontecendo em Cuba de tão especial pra falarem tanto?! Houve uma passeata. Inclusive vi o presidente de Cuba na passeata, conversando com as pessoas", afirmou Lula.

Na mesma publicação, o ex-presidente atacou os EUA, alegando que a ilha cubana sofre "60 anos de bloqueio econômico dos EUA, ainda mais com a pandemia, é desumano".

"Os americanos precisam parar com esse rancor. O bloqueio é uma forma de matar seres humanos que não estão em guerra. Do que os EUA tem medo? Eu sei o que é um país tentando interferir no outro", disse.

Este conteúdo não está disponível devido às suas preferências de privacidade.
Para vê-los, atualize suas configurações aqui.

Protestos em Cuba

No último domingo (11), protestos contra o governo cubano eclodiram em diversas cidades da ilha e em Miami, nos Estados Unidos. Os manifestantes expressaram seu descontentamento com a atual situação econômica e social do país, muito agravada durante a pandemia de Covid-19.

De fato, em 2020, o PIB cubano caiu 11%. Além disso, o país, que depende de importar 70% de tudo que consome, sofre com escassez, causada principalmente pelo fechamento das fronteiras por conta da pandemia e pelo bloqueio econômico norte-americano.

Há também menos voos internacionais, o que diminuiu a entrada de dólares na ilha enviados por cubanos que vivem em outros países, em especial nos Estados Unidos. Segundo dados oficiais, 65% das famílias cubanas recebiam ajuda de parentes.

Outra perda econômica para o país foi na área do turismo, que é uma das principais fontes de recursos e responde por 10% do PIB do país, somando áreas relacionadas, como a gastronomia.

Se não fosse os EUA, "ilha poderia ser uma Holanda"

Para Lula, o bloqueio econômico norte-americano atrapalha Cuba. Segundo ele, o país tem "um povo intelectualmente preparado" e, caso não tivesse o entrave com os EUA, "poderia ser uma Holanda".

"Se Cuba não tivesse um bloqueio, poderia ser uma Holanda. Tem um povo intelectualmente preparado, altamente educado. Mas Cuba não conseguiu nem comprar respiradores por causa de um bloqueio desumano dos EUA", avaliou o ex-presidente.

Na segunda-feira (12), o presidente norte-americano Joe Biden elogiou os protestos, dizendo que "povo cubano está bravamente protestando por direitos fundamentais e universais".

"Esses direitos, incluindo o direito a protestar pacificamente e o direito a determinar livremente seu próprio futuro, deve ser respeitado", disse Biden em comunicado. "Os EUA pedem ao regime cubano que, em vez de enriquecerem, escute o povo e atenda às suas necessidades", disse o comunicado.

People demonstrate, some holding Cuban and US flags, during a protest against the Cuban government at Versailles Restaurant in Miami, on July 12, 2021.  Havana on Monday blamed a US
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, que também é líder do Partido Comunista Cubano, se pronunciou em rede nacional de televisão e rádio, junto com outros membros do governo, sobre os protestos (Foto: AFP / Eva Marie UZCATEGUI)

Na visão de Lula, no entanto, o presidente dos EUA deveria ter outra postura. "O Biden deveria aproveitar esse momento pra ir a televisão e anunciar que vai adotar a recomendação dos países na ONU de encerrar esse bloqueio"

Bloqueios ficaram mais rígidos no governo Trump

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, que também é líder do Partido Comunista Cubano, se pronunciou em rede nacional de televisão e rádio, junto com outros membros do governo, sobre os protestos.

Segundo o presidente, grande parte das dificuldades enfrentadas pelos cubanos são consequência do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos. 

Este bloqueio, lembrou Díaz-Canel, ficou mais duro em 2019, depois de uma decisão do ex-presidente Donald Trump e que ainda não foi revista pelo atual presidente Joe Biden.

“Se querem ter um gesto com Cuba, se de verdade se preocupam, abram o bloqueio e vamos ver como tocamos”, declarou.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos