Lula avança no Sudeste e mantém fortaleza no Nordeste em vitória sobre Bolsonaro

RIO DE JANEIRO, RJ, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O avanço sobre o eleitorado do Sudeste e a manutenção de uma fortaleza no eleitorado nordestino foram os principais resultados, comparados à disputa de 2018, que garantiram a vitória no domingo (30) a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Jair Bolsonaro (PL).

A margem mais estreita na história da disputa presidencial, porém, mostrou que a obtenção de novos votos em outras regiões bolsonaristas, como Sul e Centro-Oeste, ainda que em menor quantidade, também foram essenciais para o retorno do petista à Presidência.

Lula teve 2,1 milhões de votos a mais que Bolsonaro, que havia vencido Fernando Haddad (PT) há quatro anos com uma diferença de 10,7 milhões de votos. Mais da metade da virada de 12,8 milhões no resultado em favor do PT neste ano se deu no Sudeste.

Na região que concentra a maior parte do eleitorado, o presidente eleito conseguiu reduzir em 9,1 milhões de votos a diferença para Bolsonaro. Lula obteve 7,8 milhões a mais para o partido, enquanto o atual presidente reduziu em 1,3 milhão a votação em relação à disputa de quatro anos atrás.

Boa parte desse avanço se deu em São Paulo, onde Haddad nacionalizou a disputa estadual, tendo sido derrotado pelo ex-ministro bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos). No estado, a candidatura do PT teve 4,3 milhões de votos a mais que em 2018, enquanto o atual presidente perdeu 1,1 milhão de votos.

Foi no Sudeste também que Lula conseguiu avançar mais no percentual de votos válidos. Ele obteve 11,1 pontos percentuais a mais do que em 2018. Ainda assim foi derrotado por Bolsonaro na região por 53,3% a 45,7%.

Em menor intensidade, a redução na diferença também aconteceu no Sul e no Centro-Oeste, regiões em que Bolsonaro havia obtido 68,3% e 66,6% dos votos válidos, respectivamente.

No Sul, Bolsonaro teve uma redução de 144 mil votos, associada a uma ampliação de 1,6 milhões de votos na candidatura do PT, todos em comparação com 2018.

No maior eleitorado da região, Rio Grande do Sul, o governador eleito Eduardo Leite (PSDB) optou pela neutralidade na disputa contra o ex-ministro bolsonarista Onyx Lorenzoni (PL). O PT-RS defendeu voto crítico no tucano, fazendo um movimento de aproximação que pode ter contribuído para a melhoria na disputa presidencial para o PT.

Lula obteve 628 mil votos a mais entre os gaúchos que Haddad, enquanto Bolsonaro teve 160 mil a menos do que em 2018.

No Centro-Oeste, os dois ampliaram suas votações, com vantagem para o petista. Lula obteve 928 mil votos a mais para o PT, enquanto o atual presidente conseguiu 168 mil eleitores a mais que há quatro anos.

Um dos trunfos do petista na região foi a forte mobilização da senadora Simone Tebet (MDB-MS) na campanha ao longo do segundo turno. A campanha de Lula avalia que ela ajudou a reduzir resistência entre alguns empresários e trabalhadores do agronegócio.

Ainda assim, Bolsonaro manteve-se a frente de Lula na região, obtendo 60,2% dos votos válidos, uma queda de 6,3 pontos percentuais em relação a 2018.

Enquanto o atual presidente viu a candidatura do PT reduzir a diferença nos seus nichos regionais, Lula conseguiu manter a fortaleza petista no Nordeste.

O presidente eleito obteve 69,3% dos votos válidos na região, uma discreta queda em relação aos 69,7% obtidos por Haddad em 2018.

Bolsonaro investiu forte para tentar enfraquecer o domínio petista no Nordeste com o anúncio de benefícios sociais ao longo do segundo turno.

A votação indica que o presidente teve parcial sucesso na empreitada, pois conseguiu 1,1 milhão de votos a mais na região do que em 2018. Contudo, Lula também ampliou a votação obtida por Haddad em 2,2 milhões de votos, mantendo a distância percentual semelhante.

Bolsonaro teve dificuldades em obter palanques na região no segundo turno. Os candidatos que disputaram o cargo de governador no domingo optaram ou pela neutralidade ou pelo apoio a Lula, temendo desgaste com o eleitorado petista de seus estados.

No cômputo geral do país, Lula venceu o pleito em 13 estados. Já o candidato derrotado à reeleição ficou na frente em 14, contando o Distrito Federal. O presidente eleito teve 50,9% dos votos válidos, contra 49,1% do adversário.