Lula não escapa da campanha de ódio nem no dia de seu casamento

Brazilian former President Luiz Inacio Lula da Silva marries sociologist Rosangela Silva, in Sao Paulo, May 18, 2022. Ricardo Stuckert/Handout via REUTERS THIS IMAGE HAS BEEN SUPPLIED BY A THIRD PARTY.
Imagens (essas reais) do casamento do ex-presidente Lula com a socióloga Rosangela Silva em São Paulo. Foto: Ricardo Stuckert (via Reuters)

O ex-presidente Lula se casou com a socióloga Rosângela Silva, a Janja, em cerimônia realizada em São Paulo na quarta-feira (18/5) e isso deveria interessar a 0 pessoas, além dos noivos e dos convidados, em condições normais de pressão e temperatura política no Brasil.

Como esses não são tempos normais, adversários do petista passaram o dia pensando em um jeito de transformar a celebração em um revés político. A ideia era mostrar que o casamento do líder das classes populares, à frente atualmente das pesquisas de intenção de voto, era na verdade um “casamento caviar com nosso dinheiro”.

Como se Lula fosse o atual presidente e o evento privado tivesse acontecido no Palácio do Planalto com direito a passeio de moto e jet ski bancado com cartão corporativo.

Para isso, o gabinete do ódio (não exatamente aquele operado em outros espaços oficiais, até onde se sabe) se prestou ao serviço de divulgar o vídeo com imagens de uma festa realizada em um espaço de eventos onde não ocorreu o casamento.

A decoração da festa real sequer havia sido divulgada, já que nem todos (aliás quase ninguém) poderia acessar o espaço portando celular. Como mostrou a repórter Camila Xavier, do Yahoo! Notícias, as imagens usadas na mensagem fake poderiam ser encontradas no perfil no Instagram do espaço de eventos com uma pesquisa básica.

O golpe simplório e rasteiro mostra que os detratores do ex-presidente não são solidários nem no dia de seu casamento –um momento de cessar-fogo que o próprio noivo exigiu de sua campanha para poder viver a lua de mel sem se preocupar, ao menos por algumas horas, com as eleições em outubro.

Boa sorte na tentativa.

Para o campo rival, a pior coisa que poderia acontecer é alguém associar a mensagem do ex-presidente ao fim do casamento (“o amor venceu”) com um sinal de alto potencial político. A carapuça de quem só sabe jogar com o ódio parece ter servido.

Não será o primeiro nem o último golpe baixo de uma eleição que promete render sopapos para muito além da linha da cintura.

Ok, ninguém espera outra coisa a essa altura.

Mas o eleitor deve ter percebido que existem algumas normas que não se cruzam mesmo nos duelos mais sangrento. Uma delas é não tentar jogar água no chope alheio no dia de seu casamento.

Limites, porém, servem a situações de normalidade.

E estamos bem longe disso.

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