Lula chama de barbaridade ataques de bolsonaristas ao STF

*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, BRASIL, 21-04-2022:  O ex-presidente Lula participa de encontro com jovens da comunidade de Heliopolis e região. (Foto: Bruno Santos/Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, BRASIL, 21-04-2022: O ex-presidente Lula participa de encontro com jovens da comunidade de Heliopolis e região. (Foto: Bruno Santos/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) condenou os ataques do presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados ao STF (Supremo Tribunal Federal).

"Ele [Bolsonaro] só conhece ódio, ódio e ódio. É ódio contra a mulher, é ódio contra o negro, ódio contra o PT, ódio contra o sindicalista, ódio contra LGBT, ódio contra quilombola e agora é ódio com a Suprema Corte. Ele agora resolveu brigar com a Suprema Corte", afirmou o presidente, citando a seguir jovens que podem estar presos injustamente neste país.

"E esse presidente, ao invés de ir visitar uma cadeia, e dar indulto para quem merece indulto, ele resolveu dar o indulto para um amigo seu que tinha cometido a barbaridade de ofender a Suprema Corte. Ou seja, porque na verdade, esse homem não tem sentimento", completou, referindo-se ao indulto concedido por Bolsonaro ao deputado Daniel Silveira, condenado pelo Supremo.

"O Brasil tem que ter um presidente que converse os Estados Unidos, que converse com a China, que converse com o mundo inteiro. Nós tempos um zé ninguém que não conversa com ninguém, que só sabe levantar às 5h da manhã pra contar mentiras."

Em um deslize em seu discurso, Lula afirmou que Bolsonaro "não gosta de gente, ele gosta de policial". "Hoje temos um presidente que não derramou uma lágrima pelas vítimas da Covid ou com a catástrofe que houve em Petrópolis, no Rio de Janeiro. Ele não tem sentimento. Ele não gosta de gente, ele gosta de policial. Ele não gosta de livros, ele gosta de armas", disse.

Neste sábado, Bolsonaro usou um evento oficial em Uberaba (MG) para convocar seus aliados a participarem dos atos convocados para este domingo, 1º de Maio.

Em recado direto ao STF, ele disse: "[Aqueles] que, porventura, irão às ruas amanhã, não para protestar, mas para dizer que o Brasil está no caminho certo. Que o Brasil quer que todos joguem dentro das quatro linhas da Constituição. E dizer que não abrimos mão da nossa liberdade."

"Amanhã não será dia de protestos. Será dia de união do nosso povo para um futuro cada vez melhor pra todos nós", completou, na Expozebu, maior evento da pecuária no país. O evento consta da agenda oficial do presidente e teve transmissão ao vivo pela TV Brasil, do governo federal.

Aliados do presidente defendem que ele não participe dos atos em desagravo ao deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ) neste domingo, por temor de discursos radicalizados que possam acentuar a crise entre os Poderes.

Já integrantes do Legislativo e do Judiciário, com ou sem a presença do chefe do Executivo, temem que as manifestações possam reeditar os atos de raiz golpista de 7 de Setembro do ano passado.

Neste domingo estão previstas mobilizações em ao menos cinco capitais: Salvador, Curitiba, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. Os últimos três devem ser maiores, em especial o que ocorrerá na avenida Paulista.

A deputada Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, criticou a convocação de Bolsonaro para os atos.

"Ele está convocando para fazer uma ação na Paulista contra o STF. O Lula, não. O Lula está nas periferias discutindo com as mulheres o custo de vida porque é isso que está pegando na maioria do povo. Enquanto ele lá libera os amigos criminosos com rapidez, ele não dá respostas [à sociedade]" disse.

Na manhã deste sábado, Lula participou de evento com mulheres na Associação dos Moradores e Amigos de Vila Hebe, na zona norte de São Paulo. No encontro, foram debatidos temas como o custo de vida, a inflação e a alimentação.

Ao longo de seu discurso, Lula ressaltou a importância das pessoas votarem nas eleições de outubro e afirmou que o seu compromisso não é com banqueiro, empresários ou fazendeiros, mas sim "com o povo pobre" do Brasil.

O petista estava acompanhado do ex-prefeito de SP Fernando Haddad, de Gleisi e da socióloga Rosângela da Silva, a Janja, noiva do ex-presidente.

Pré-candidato ao Governo de SP pelo PT, Haddad criticou a dobradinha de Bolsonaro e João Doria e afirmou que é possível pensar em "uma nova parceria".

"O Bolsodoria não deu certo para ninguém. Não posso falar qual parceria, mas vocês imaginam o que pode acontecer se os governos federal e estadual remarem na mesma direção a favor do povo", disse.

A organização do evento dispôs dois carrinhos de supermercado no palco para abordar a inflação: um com produtos que podiam ser comprados com R$ 100 em 2010 e outro com os itens que podem ser comprados neste ano.

Também estiveram no evento membros do partido, como os deputados federais Carlos Zarattini, Paulo Teixeira e Alexandre Padilha e os vereadores Eduardo Suplicy e Juliana Cardoso.

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