Lula colocará questão climática no centro em primeiro discurso no exterior após eleição

Presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva acena durante cúpula climática COP27, no Egito

Por Jake Spring

SHARM EL-SHEIKH, Egito (Reuters) - O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva teve nesta quarta-feira uma recepção calorosa na cúpula climática da Organização Nações Unidas (ONU) COP27, realizada no Egito, onde ele deve fazer seu primeiro discurso no exterior desde que foi eleito.

Lula prometeu que o Brasil, que abriga a maior parcela da floresta amazônica, voltará a se comprometer com as negociações globais sobre a crise climática.

Centenas de pessoas se aglomeraram em um salão de exposições onde Lula se encontrava com governadores de Estados amazônicos. A multidão gritou o nome do presidente eleito antes do início do evento.

Usando terno e gravata, Lula chegou com um aparato de segurança leve e caminhou próximo da multidão, estendendo a mão para apertar as mãos estendidas.

"É muito positivo que ele venha aqui como presidente eleito, porque o atual presidente nunca veio às COPs", disse Carlos Nobre, cientista climático da Universidade de São Paulo.

Ele disse que Lula fará uma guinada de "180 graus" nas atuais políticas brasileiras para o meio ambiente, adotadas no governo do atual presidente Jair Bolsonaro.

Mais tarde nesta quarta, Lula discursará à cúpula climática da ONU e deverá mandar a mensagem de que "o Brasil está de volta" como líder na questão da mudança climática.

Em uma publicação no Twitter, Lula disse nesta quarta que vai sugerir ao secretário-geral da ONU, António Guterres, com quem se reunirá na quinta, que uma futura edição da COP seja realizada na Amazônia brasileira. A intenção do presidente eleito de trazer a cúpula climática ao Brasil já havia sido antecipada à Reuters por fontes na semana passada, que também disseram que o presidente eleito pretende anunciar a criação de uma autoridade climática nacional para supervisionar o trabalho do governo no enfrentamento ao aquecimento global.

Na eleição presidencial realizada no mês passado, Lula derrotou Bolsonaro, que nomeou céticos da questão climática como ministros e viu o desmatamento na floresta amazônica brasileira atingir um pico de 15 anos.

O desmatamento é a maior fonte de emissões de aquecimento global no Brasil, pois a densa vegetação da selva absorve grandes quantidades de carbono que é liberado quando destruído.

Lula reduziu o desmatamento para baixas quase recordes em sua primeira passagem na Presidência, de 2003 a 2010. Para seu futuro governo, ele prometeu um plano abrangente para restaurar a fiscalização ambiental, fortemente reduzida no governo Bolsonaro, além de criar empregos verdes.

O presidente eleito recebeu convites para mais de 10 reuniões bilaterais com representantes de outros países durante a COP27.

Na terça-feira, Lula disse no Twitter que se reuniu com o enviado dos Estados Unidos para o clima, John Kerry, e com o negociador-chefe da China para questões climáticas, Xie Zhenhua. Lula deverá encontrar o chefe da política climática da União Europeia, Frans Timmermans, nesta quarta.

Na quinta-feira, Lula se encontrará com representantes da sociedade civil e grupos indígenas, assim como com Guterres. Ele parte na sexta-feira para Portugal para se encontrar com autoridades governamentais daquele país.