Lula com emoção e Bolsonaro racional: especialista em expressões corporais analisa desempenhos em debate da Globo

Enquanto o candidato Lula (PT) apostou em discursos mais emocionados, com ênfase em suas realizações e se dirigindo diretamente ao público, Jair Bolsonaro (PL) adotou uma linha "racional", se baseando em dados e números, no último debate presidencial das eleições, nesta sexta, na TV Globo. Para a especialista em oratória, Tathiane Deândhela, os dois candidatos tiveram comportamentos de expressões corporais distintos na tentativa de captar a atenção e o interesse dos eleitores. Como pontos negativos, ela destacou momentos de irritação de Lula e de apatia de Bolsonaro.

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Mestre em Liderança pela Universidade de Atlanta, Deândhela analisou o debate a pedido do GLOBO. A especialista explicou que o engajamento com o público depende, em alto grau, do "uso adequado da inflexão, demonstrando suas emoções na medida certa". Nesse quesito, Lula adotou a fala com entonação, com ênfase nas suas realizações. Além disso, ele se apoiou em expressões do tipo "O que o Brasil quer saber é o que você vai fazer", como forma de demonstrar estar "do lado do povo', disse Deândhela.

Já Bolsonaro não adotou a pegada emocional, o que envolveria mais o público, na análise da especialista. Sua opção foi por seguir "uma linha mais racional, com dados e fatos". Dentro dessa escolha, o presidente teve mérito ao falar com "convicção e firmeza", analisou.

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Sobre as expressões corporais, Deândhela enxergou erros e acertos. Sobre Lula, ela lembrou que ele riu das respostas de Bolsonaro em diversos momentos, uma postura que não é indicada em debates por passar impressão de "desrespeito". Mas, considerou como boa tática de comunicação o olhar diretamente para a câmera, o que demonstra "interesse genuíno".

A especialista achou positiva a estratégia de Bolsonaro de usar "gestos de cima para baixo", o que ajuda a trazer convicção para a fala. Mas, semelhante ao comportamento de Lula, o presidente deu de ombros em vários momentos, passando impressão de desrespeito, o que também não é indicado em debates.

O quesito mais problemático nos desempenhos, na análise de Tathiane Deândhela, foi o controle emocional dos candidatos. Enquanto Lula se irritou em alguns momentos, "deixando transparecer suas emoções", Bolsonaro ficava "de forma apática", em uma postura uniforme em grande parte do tempo. Na opinião da especialista, Lula deveria trabalhar melhor a inteligência emocional, para evitar descontrole, e o presidente poderia aproveitar " as emoções de maneira estratégica", o que mostraria que preocupação com anseios dos eleitores.