Lula consegue apoio de Meirelles, Cristovam e outros ex-candidatos à Presidência

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa de comício em Curitiba

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - Em mais um esforço para ampliar seu leque de apoios e aumentar a chance de vitória ainda no primeiro turno, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu nesta segunda-feira oito ex-candidatos a presidente, de diversos partidos, que declararam apoio a sua candidatura.

Além de Geraldo Alckmin (PSB), hoje seu candidato a vice mas que disputou a Presidência pelo PSDB em 2006 e 2018 e Fernando Haddad (PT), que disputou 2018 no lugar de Lula, estavam também Luciana Genro e Guilherme Boulos (PSOL), o ex-senador Cristovam Buarque (Cidadania), o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles (União Brasil), João Vicente Goulart (PCdoB), e Marina Silva (Rede), que declarou apoio a Lula na semana passada.

"É um dia alegre para mim porque essa reunião significa a vontade que as pessoas têm de recuperar a democracia no nosso país", disse Lula. "Essa fotografia aqui simboliza a reconstrução do Brasil."

Para além dos tradicionais nomes de esquerda, Lula conseguiu colocar ao seu lado seu ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles. Candidato do MDB à Presidência em 2018, Meirelles nunca foi petista, e foi o ministro da Fazenda do governo de Michel Temer.

Meirelles usou dados econômicos para defender a candidatura do ex-presidente.

"Na minha vida profissional eu sempre me baseei em fatos", disse, ao desfiar uma sequência de números positivos dos dois mandato de Lula. "Esse é um resumo dos fatos, é o que interessa: emprego, renda, padrão de vida da população. Mostrar quem faz, quem realiza. Falatório pode impressionar muita gente, mas eu acredito em fatos. Eu olho e vejo resultados do seu governo. E isso me faz estar aqui."

A mesa ao lado de Lula reuniu nomes que já haviam abraçado a candidatura do petista há tempos, como Guilherme Boulos e João Vicente Goulart, mas também demonstrou que pontes foram refeitas com nomes que haviam se afastado do partido há vários anos, como Cristovam Buarque e Luciana Genro.

Ex-ministro da Educação no primeiro governo de Lula, o ex-senador guardou por anos a mágoa de ter sido demitido por telefone e deixou o PT. Foi candidato contra Lula pelo PDT em 2006, e votou a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Roussef em 2016.

O ex-senador, no entanto, declarou com firmeza agora o apoio a Lula. "Lula é hoje o melhor que temos para conduzir o Brasil. Estou aqui porque precisamos afastar de vez o risco, a tragédia, o assombro que é o atual presidente", afirmou, defendendo a vitória do petista em primeiro turno. "Segundo turno serão quatro semanas de violência e fake news. Não é responsável termos um segundo turno hoje."

Luciana Genro, que foi expulsa do PT em 2003 por ser contrária a proposta de reformas que o então governo Lula havia apresentado, foi uma das fundadoras do PSOL e se manteve distante de Lula até este ano. Nesta segunda, em São Paulo, ao tirar foto com a ex-deputada, Lula brincou: "Vou mandar para o Tarso Genro" pai de Luciana e petista histórico.

Em um encontro em que colocou na mesma mesa os socialistas Boulos e Luciana e o liberal Meirelles, o tom foi de união pela democracia.

"Todos nós aqui fomos candidatos, tínhamos projetos diferentes para o Brasil, mas sempre tivemos algo em comum, que é o respeito à democracia e ao povo brasileiro", disse Alckmin.

"Todos conhecem as nossas diferenças essas são públicas mas estamos aqui hoje passa dizer que essas diferenças por mais expressivas que sejam são menores nesse momento que aquilo que nos une para defender a democracia", disse Boulos.

O PT investe nessa reta final da campanha em tentar conquistar a eleição no primeiro turno. Com amostras diferentes, as pesquisas eleitorais mostram o ex-presidente com uma diferença que vai de 6 a 15 pontos a frente do presidente Jair Bolsonaro. Alguns levantamentos, como o Ipec, mostram Lula com chances de vencer no primeiro turno.

"Eu estou trabalhado para ganhar no primeiro turno. Cada gesto meu é na perspectiva de mostrar para a sociedade que eu quero ganhar", lembrou Lula no final do encontro.