Lula convoca aliados a irem para a rua: 'daqui para frente será tudo em lugar aberto'

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O candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta sexta-feira que a partir de agora seus atos de campanha ocorrerão em locais abertos. Lula também convocou os aliados a ir para a rua. Em discurso na convenção nacional do PSB, onde Geraldo Alckmin foi oficializado como vice na sua chapa, o petista disse que fará uma campanha sem ódio e que pretende fazer a mais “importante revolução pacífica desse país.”

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— Vamos fazer uma campanha sem ódio, nós não precisamos aceitar nenhuma provocação. Ninguém tem que brigar com ninguém na rua. Ninguém tem que brigar com ninguém em restaurante. Vamos ganhar tendo coragem. Tem gente que acha que não devo fazer comício, que deva fazer em local fechado. Daqui para frente é tudo em lugar aberto — discursou Lula.

Neste sábado, contudo, o ex-presidente terá um evento em local fechado — no Centro de Convenções do Ceará, em Fortaleza. Lá, o PT fará sua convenção estadual.

— Temos que ir para rua para demonstrar que o povo quer democracia de verdade. Não podemos ceder a esse fanfarrão que não teve coragem de soltar uma lágrima pelas 130 pessoas que morreram nas enchentes de Pernambuco — completou Lula.

Por unanimidade, o PSB aprovou nesta sexta-feira a aliança de Alckmin e Lula. O evento oficializou uma união inédita que colocou na mesma chapa ao Planalto dois ex-adversários. Em 2006, Lula e Alckmin, à época tucano, disputaram o segundo turno da eleição presidencial. A coligação também conta com outras cinco siglas: PCdoB, PV, Solidariedade, Rede e PSOL.

— A experiência do Alckmin e a minha experiência farão a mais importante revolução pacífica desse país. Conhecemos tudo por dentro e por fora, já sabemos como funciona o emaranhado da burocracia — disse o ex-presidente.

Em discurso direcionado aos empresários, Lula prometeu não tratar nenhum setor com indiferença, mas afirmou que irá priorizar as pessoas que estão passando fome.

— Todo mundo tem que saber que a gente sempre tem muito cuidado com discurso e temos que agradar todo mundo. A Avenida Paulista e a Faria Lima estão preocupadas com nosso discurso. Banqueiro, empresário, as pessoas têm que saber: nós já governamos esse país e São Paulo, não vamos tratar ninguém com indiferença. Mas todo mundo tem que saber que temos uma preferência em cuidar do povo pobre que precisa comer, estudar e trabalhar.

No início da fala, Lula parabenizou empresários, intelectuais e professores da USP e outras universidades que estão organizando um manifesto em defesa da democracia. O movimento demonstra, na avaliação do petista, que "ninguém acredita mais nos rompantes do presidente".

— Nunca imaginei que aos meus 76 anos de idade, 50 anos de participação política, que iríamos ver um presidente cometer a idiotice de chamar os embaixadores de quase 70 países para fazer o pior papel que um presidente da República pode fazer, que é mentir aos embaixadores e vender uma ideia falsa de que no Brasil a democracia corre risco por conta das urnas.

Filiado ao PSB desde março, quando deixou o PSDB após 33 anos, Alckmin fez parte da fala dirigida à parcela da população que não apoia Lula, com foco nos empresários, trabalhadores que temem perder emprego e às pessoas que perderam familiares durante a pandemia de coronavírus:

— Bolsonaro falhou com vocês, mas nós estamos do seu lado. Bolsonaro abusou de sua confiança, mas nós jamais abusaremos. Bolsonaro se vangloria de defender os valores da família, mas, de verdade, ninguém fez mais para arruinar a estabilidade da vida familiar neste país do que o seu próprio governo.

O candidato à vice-presidência prometeu, ao lado de Lula, fazer um governo de "responsabilidade, planejamento, previsibilidade para dar de volta à confiança e a segurança." Alckmin classificou a gestão Bolsonaro como a mais "irresponsável, imprudente e incompetente" que o país já teve:

— Bolsonaro tem de ir embora, sobretudo porque é sem, sombra de dúvida, o mais irresponsável, imprudente e incompetente governo que o Brasil já teve. É hora de Bolsonaro ir embora, seu tempo acabou, suas ideias e seus conceitos não servem ao país, suas mentiras não mais se sustentam, seu plano ardiloso contra democracia fracassou e as urnas vão livrar o Brasil de todo mal que ele causou.

Embora esteja sacramentada em nível nacional, a aliança entre PT e PSB ainda enfrenta dificuldades para formar palanques em dois estados: Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

No Rio, o pré-candidato ao Senado, Alessandro Molon, resiste a abrir mão da candidatura em favor de André Ceciliano (PT). Molon não esteve presente ao evento. Já o candidato ao governo, Marcelo Freixo (PSB), acompanhou a formalização da aliança nacional.

No Rio Grande do Sul, Beto Albuquerque (PSB) tem indicado que deve desistir de concorrer ao governo do estado. O anúncio deve ser formalizado na segunda-feira. Antes de entrar no auditório da convenção, ele disse que é preciso aguardar a definição local.

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