Lula convoca reunião e fará freio de arrumação após divergências públicas entre ministros

Com menos de uma semana de governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará um freio de arrumação em seus ministros na próxima sexta-feira. Após ruídos na comunicação de seus subordinados, que têm dado declarações públicas sobre iniciativas que não foram definidas pelo presidente, Lula pretende utilizar a reunião ministerial para orientar o primeiro escalão para que não dê declarações em nome do governo sem que elas sejam legitimadas pelo presidente.

O ruído mais recente ocorreu ontem quando o ministro da Casa Civil, Rui Costa, desautorizou o ministro da Previdência, Carlos Lupi, ao afirmar que o governo não estuda nenhuma proposta para rever a Reforma feita na área. Lupi defendeu em sua posse uma revisão nas regras da Reforma da Previdência.

Ao GLOBO, o ministro da Casa Civil, Rui Costa afirmou que na sexta-feira Lula dará orientações sobre sobre os ruídos entre os integrantes do governo.

— Não tem nenhuma reforma da previdência sendo desenhada. O presidente vai fazer uma reunião ministerial na sexta e vai ressaltar essas questões. Os ministros podem, evidente, ter opiniões pessoais, individuais, podem refletir sobre vários temas. Mas uma opinião, um projeto, uma medida só passa a ser do governo quando legitimada pelo presidente da República. Antes disso, se trata de uma opinião, uma ideia, um projeto do ministério ou do ministro —afirmou Rui Costa.

O ministro minimizou o episódio que, segundo ele, não tem potencial para gerar nenhuma crise. Segundo Costa, é natural que no início do governo haja esse tipo de desencontro.

— Só passa a ser uma opinião do governo na medida em que o presidente aprove. Ele vai reiterar que todos podem e devem ter opiniões pessoais, mas no momento de emitir suas opiniões deixe claro qual a opinião do governo e qual a opinião do presidente — disse. — (Não há) Crise nenhuma. É um momento normal. Ministros tomando posse, todo mundo cheio de energia, cheio de amor para dar, o entusiasmo toma conta.

Episódios de descompasso entre os membros do governo têm ocorrido com frequência. Antes da posse, os ministros da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, e da Defesa, José Múcio também tiveram divergência sobre como agir em relação a manifestantes antidemocráticos que acampavam diante do QG do Exército em Brasília. Enquanto Dino defendia uma resposta mais dura, Múcio defendeu uma estratégia mais branda para evitar novos desgastes.

Outra dissonância ocorreu entre o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães, e o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues.

O senador disse ao GLOBO que o União Brasil deveria entregar ao menos 60% dos votos de seus parlamentares nas duas casas para pagar a fatura por ter obtido três ministérios. Pouco depois, o deputado José Guimarães rebateu o colega e afirmou que é preciso ter humildade e "articular muito e falar menos".