Lula dá aval a candidato do PT no CE, isola Ciro e negocia com Tasso

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SALVADOR, BA, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Depois de romper com o PDT de Ciro Gomes no estado que é seu berço eleitoral, o PT definiu o deputado estadual Elmano de Freitas como candidato ao Governo do Ceará.

Agora, o partido trabalha para ampliar o arco de alianças, em um movimento que tende a esvaziar a base de apoio do ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (PDT), candidato ao governo que vai liderar o palanque de Ciro Gomes em seu principal reduto eleitoral.

PP, MDB, PV e PC do B já asseguraram apoio à candidatura de Elmano, que ainda tenta atrair para a sua coligação o PSB e PSDB do senador Tasso Jereissati em uma articulação que envolve o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Tasso não vai concorrer à reeleição ao Senado. Ele vem sendo cotado para ser candidato a vice-presidente na chapa liderada pela senadora Simone Tebet (MDB), mas tem dito a aliados que está desanimado para encarar o desafio.

A escolha do candidato do PT foi selada neste domingo (24) em uma reunião com Lula, Elmano, o ex-governador e pré-candidato ao Senado Camilo Santana (PT) e o ex-senador Eunício Oliveira (MDB). Na ocasião, Lula ligou para Tasso Jereissati e os dois devem se encontrar pessoalmente na próxima quarta-feira (27) em São Paulo.

A conversa servirá para negociar os termos de uma possível aliança que deve incluir apoio de Tasso a Lula em um eventual segundo turno das eleições presidenciais. O petista deve participar do ato de lançamento da candidatura de Elmano no Ceará, marcado para 3 de agosto.

Lula e Tasso têm uma relação cordial e já haviam se encontrado em Fortaleza em agosto do ano passado. Na época, o tucano ainda disputava as prévias do PSDB para concorrer à Presidência da República.

Ao mesmo tempo, Tasso também tem uma relação de amizade e parceria histórica com Ciro Gomes. Ambos estiveram afastados entre 2010 e 2018 depois de duas décadas de alianças, mas se reaproximaram. O tucano também é cortejado pelo PDT.

A despeito de ter lançado candidatura própria ao governo em 2018, o PSDB fez parte da base aliada do então governador Camilo Santana, que também tem relação de respeito com Tasso.

Para tentar atrair o PSDB, articulação que traria junto o partido federado Cidadania, o PT negocia as vagas de vice-governador ou suplência para o Senado na chapa.

A vaga de suplente de Camilo Santana é um das mais cobiçadas, já que ele pode se tornar ministro em caso de eleição de Lula para a Presidência. Um dos nomes cotados para a vaga é o do presidente estadual do PSDB, Chiquinho Feitosa.

O PSB é outro alvo dos petistas. Camilo Santana está em Brasília e vai se reunir com Carlos Siqueira, presidente nacional do PSB. Os pessebistas, a princípio, apoiam Roberto Cláudio, candidato apoiado por Ciro Gomes no Ceará.

Roberto Cláudio também trabalha para atrair o PSDB para sua chapa, que ainda não tem candidato ao Senado. Mas interlocutores de Tasso dizem ser pouco provável que ele encare uma disputa direta pela única vaga com Camilo Santana.

O rompimento da aliança de 16 anos entre PT e PDT no Ceará foi selado na semana passada após o PDT barrar a reeleição da governadora Izolda Cela e escolher o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio como o candidato ao Governo do Ceará.

Na ocasião, o PT afirmou que a decisão representava um "rompimento tácito e unilateral da aliança" e disse que na decisão do PDT "prevaleceu a arrogância, o capricho e a expressão de mando".

Izolda Cela assumiu o governo após renúncia de Camilo Santana e era o nome preferido do ex-governador para a sua sucessão. Ciro Gomes, contudo, preferia Roberto Cláudio, que foi prefeito de Fortaleza de 2013 a 2020 e faz parte do núcleo duro do PDT no Ceará.

Confirmados como candidatos ao governo do estado, Roberto Cláudio (PDT) e Elmano de Freitas (PT) vão reeditar um embate que tiveram em 2012 na disputa pela prefeitura de Fortaleza.

Naquela eleição, Elmano terminou o primeiro turno com mais votos, mas acabou perdendo no segundo turno para Roberto Cláudio. PT e PDT eram aliados no estado, mas adversários no plano municipal.

Desta vez, contudo, PT e PDT terão como desafio adicional enfrentar o deputado federal Capitão Wagner (União Brasil), que é favorito na disputa estadual e deve concorrer com o apoio do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Dentro do PT, Elmano de Freitas acabou prevalecendo na disputa interna por ser um nome com trânsito entre os diferentes grupos do PT e boa interlocução com os partidos aliados.

Deputado estadual em segundo mandato, ele tem uma trajetória política ligada à ex-prefeita de Fortaleza Luizianne Lins, de quem foi secretário da Educação. Mas também se aproximou do grupo liderado por Camilo Santana, sendo escolhido líder do PT na Assembleia Legislativa.

Elmano é advogado e tem militância ligada às Comunidades Eclesiais de Base da Igreja Católica. Fez parte da Rede Nacional de Advogados Populares e já advogou para o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra)

Em 2020, concorreu à Prefeitura de Caucaia, cidade da região metropolitana de Fortaleza, mas acabou em quarto lugar.

Na Assembleia Legislativa, é o relator da CPI do Motim, que investiga o financiamento de associações ligadas a policiais e bombeiros militares no Ceará e a participação destas entidades no motim da Polícia Militar em 2020.

O pré-candidato a governador Capitão Wagner, que liderou um motim da PM em 2012, foi um dos apoiadores do movimento.

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