Lula defende desoneração do trabalho e taxação de ricos em reforma tributária

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante ato de campanha em Manaus

BRASÍLIA (Reuters) - O ex-presidente e candidato ao Palácio do Planalto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira que a reforma tributária em um eventual novo governo seu terá que "desonerar salários e onerar as pessoas mais ricas", com a taxação de lucros e dividendos.

Em discurso durante encontro com profissionais que trabalham com assistência social, Lula pediu que seus eleitores prestassem atenção em que escolher como candidatos para deputados e senadores, porque só assim será possível fazer uma reforma tributária justa.

"Vamos ter que eleger bastante deputados e senadores porque temos que fazer uma nova política tributária. Temos que desonerar salários para onerar as pessoas mais ricas", defendeu. "Temos que ter clareza da importância do Congresso nessa eleição. Não podemos votar em uma pessoa que depois vamos esquecer quem é no dia seguinte."

Ao fazer elogios ao vereador de São Paulo Eduardo Suplicy (PT), agora candidato a deputado estadual, Lula prometeu a ele que verá, caso seja eleito, a regulamentação do programa renda básica da cidadania, uma bandeira de Suplicy.

"Eduardo, você se prepare porque daqui a pouco a renda básica vai chegar", disse Lula.

Em junho, durante uma live nos 80 anos de Suplicy, Lula já havia dito ao ex-senador que regulamentaria a renda básica de cidadania.

A proposta, que prevê o pagamento de um valor mensal a todas as pessoas em situação de pobreza e extrema pobreza, foi aprovada pelo Congresso em 2004, e sancionada por Lula, então presidente, mas nunca regulamentada. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal decidiu que o governo federal deveria começar a pagar o benefício a partir de 2022.

(Reportagem de Lisandra Paraguassu)