Lula defende estreitamento de relações com Portugal em encontro com premiê

LISBOA, PORTUGAL (FOLHAPRESS) - Em viagem a Lisboa após participar da COP27 no Egito, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu-se, na noite desta sexta-feira (18), com o primeiro-ministro de Portugal, António Costa, e reforçou o compromisso ambiental de seu futuro governo.

Ele repetiu a tese de que o país "voltou ao cenário internacional" após um isolamento sob Jair Bolsonaro (PL), defendendo um estreitamento das relações com o país europeu. "Estou orgulhoso de estar aqui. Temos que ter relação carinhosa com Portugal e quero Costa e Marcelo na minha posse. O Brasil voltou à normalidade", afirma.

Durante a campanha do segundo turno das eleições brasileiras, o premiê socialista gravou um vídeo de apoio à candidatura petista. Ao recepcionar Lula e a futura primeira-dama Rosangela da Silva, a Janja, na entrada da residência oficial do governo, António Costa posou para os fotógrafos fazendo um sinal de L com a mão.

Os dois líderes tiveram uma reunião e depois participaram de um jantar com autoridades portuguesas e membros da comitiva petista.

"Eu fiquei muito emocionado no Egito, quando o povo gritava: 'O Brasil voltou'. Porque fazia quatro anos que o Brasil estava completamente isolado do mundo. Nenhum país que sofreu bloqueio nesses 30 anos teve o isolamento que o Brasil teve por culpa do próprio governo brasileiro", disse, sem citar Bolsonaro. "Não foi o mundo que isolou o Brasil. Foi o Brasil que se isolou."

Ainda segundo o petista, o atual presidente não conversava e não fazia questão de receber ninguém no país. "Ninguém queria visitar o Brasil porque ele teve um comportamento totalmente anti-Brasil e antidemocrático."

Em entrevista coletiva o presidente eleito ainda voltou a defender uma reforma no Conselho de Segurança da ONU, comentário que encontrou eco nas falas de Costa, e disse que o país voltou à normalidade depois de sua vitória na eleição.

Anteriormente, Lula foi recebido pelo presidente Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio de Belém, sede da Presidência. O encontro foi adiantado em cerca de meia hora para permitir uma breve participação presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, que tivera de uma reunião mais cedo com o chefe de Estado luso.

Após 15 minutos de conversa, o líder moçambicano deixou o local. Lula e Rebelo continuaram a conversa, que também teve a participação do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, cotado para o Itamaraty, e do ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, João Gomes Cravinho, por mais uma hora e 15 minutos.

Os encontros com as autoridades lusas marcam a primeira agenda bilateral do petista no exterior depois de participar da COP27, no Egito.

Nos dois encontros, houve uma pequena concentração de manifestantes contrários à vitória de Lula, mas também de apoiadores do petista. Os protestos foram pacíficos, mas houve uma espécie de "batalha de gritos" entre os dois lados.

Em alguns momentos de maior exaltação, a polícia portuguesa precisou intervir para delimitar um espaço para bolsonaristas e lulistas.

Antes de cumprir a agenda oficial, Lula almoçou no restaurante Cícero, no bairro nobre de Campo de Ourique. A informação de que o presidente eleito estava no local se espalhou antes que ele terminasse a refeição, e dezenas de apoiadores se concentraram na porta do estabelecimento para saudar o petista.

O restaurante tem como um dos sócios o economista Paulo Dalla Nora Macedo. O ex-banqueiro, que já foi um ferrenho defensor da terceira via, participou de uma intensa mobilização para convencer empresários a abraçarem a campanha petista.

O estabelecimento foi fechado para a comitiva e para um pequeno grupo de convidados, entre os quais o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes.

Antes de retornar ao Brasil, Lula vai se reunir, na manhã de sábado (19), com representantes de movimentos políticos e sociais brasileiros em Portugal.

Nos dois turnos, Lula venceu Jair Bolsonaro (PL) em todas as três cidades portuguesas onde os brasileiros votaram.

Lula viajou a bordo do mesmo jato do empresário José Seripieri Filho, conhecido como Júnior, fundador da Qualicorp e dono da QSaúde, que também o levou ao Egito.