Lula dá tiro no pé ao defender regime cubano

  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
·3 minuto de leitura
Neste artigo:
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
People demonstrate waving Cuban flags during a protest against the Cuban government at Tamiami Park in Miami, on July 13, 2021. - Washington warned Haitians and Cubans against trying to flee to the United States as they endure domestic unrest, saying the trip is dangerous and they would be repatriated. (Photo by Eva Marie UZCATEGUI / AFP) (Photo by EVA MARIE UZCATEGUI/AFP via Getty Images)
Foto: Eva Marie Uzcategui/AFP (via Getty Images)

Se as eleições de 2018 foram decididas pelo tema da corrupção, em 2022 elas serão definidas pelo embate entre democracia (ou civilização) e barbárie.

Quem manteve um contato mínimo com amigos e parentes desde a última disputa presidencial já percebeu que o ensaio antidemocrático de Jair Bolsonaro, com armas, rugidos militares e ameaça de ninguém poderá votar se não for do seu jeito, tem assustado até mesmo quem apertou 17 até cair o dedo há quase três anos. As suspeitas de corrupção em seu governo e seu entorno fizeram o restante do trabalho sobre sua popularidade, hoje na UTI.

Tal desgaste fez o ex-presidente Lula ressurgir no tabuleiro da sucessão como favorito. Com um detalhe: Lula não é rei Sebastião, e o recall de suas vitórias em 2002 e 2006 têm alcance relativo quase duas décadas depois. Parte dos eleitores que decidirão os rumos do país no ano que vem não era nascida ou ainda engatinhava naquele começo de século.

Para confirmar o favoritismo, Lula terá de demarcar território na disputa pelo tema principal. E consolidar terreno entre eleitores cansados dos arroubos, das ameaças, das patadas, das tensões entre Poderes e das crises permanentes criadas por Bolsonaro e companhia todo santo dia.

Leia também:

Essa demarcação com risca de giz fica um pouco mais opaca toda vez que Lula fala e passa pano sobre Cuba.

Em tese, não seria difícil, a essa altura do campeonato, defender eleições livres e diretas em qualquer lugar do planeta. E condenar a perseguição a opositores mantida pelo grupo que tomou o poder em 1959 e de lá não saiu.

Mas algo parece travar a língua do ex-presidente ao se manifestar sobre os protestos que chegaram a Havana.

Lá os manifestantes deixaram clara a revolta com a condução da pandemia no país onde, só no domingo 11, foram confirmados 6.750 novos casos de infecção e 31 mortes. Eles berram também contra a situação econômica, estrangulada pela pandemia, e pela ampliação do acesso à internet.

Nenhum absurdo, portanto.

Em 2013, quando protestos explodiram pelo Brasil contra o aumento da passagem de ônibus e as ruas passaram a vocalizar o incômodo com a corrupção e os investimentos em estádios padrão Fifa em entornos padrão fossa das 12 cidades-sede da Copa do Mundo, muita gente à esquerda passou a contestar a legitimidade das reivindicações para focar a bronca em uma suposta instrumentalização política dos anseios populares. Essa discussão ocorre até hoje.

Instrumentalização, ao que parece, é o que acontece com as massas quando o protesto atinge governo que gostamos ou apoiamos.

Quando atinge opositores, é revolução.

Mais do que a velha versão do presidente Lula, o que os eleitores querem saber é quais atualizações o provável candidato em 2022 apresentará sobre um mundo que mudou em relação a 2010 e 2000. Que dirá de 1959?

Se a crítica ao uso retórico de espantalhos aposentados ao fim da guerra fria vale para a direita enferrujada (Bolsonaro já chacoalha seu fantasma favorito), ela também vale para quem se apega a antigas armas para defender velhos regimes carcomidos pelo tempo.

O alinhamento a Cuba e Venezuela, dois regimes que corroem o discurso em defesa da democracia onde quer que ela não esteja, é um imenso calcanhar de Aquiles a quem pretende se apresentar como a opção civilizada numa disputa que terá, em 2022, um apoiador notório da ditadura e seus de torturadores em busca de reeleição.

Citar o caso Floyd, que provocou um levante nos EUA contra a violência estatal (e levou o policial da cena em cana), vale como jogo de palavras, mas não serve como equivalente. Principalmente onde a perseguição passa longe das câmeras e da viralização em rede. Dito isso: sim, o embargo é desumano, e algum ponto de negociação poderia sair do atual impasse.

Política e eleitoralmente, é um vórtice de dragar votos a dificuldade em reconhecer como legítimas as demandas que se defende por aqui, como eleições sem fraude ou ameaças e vacina para todos. A teimosia pode custar caro. Não estamos mais na Guerra Fria.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos