Lula deve anunciar ministro da Defesa na semana que vem, e José Múcio é cotado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deverá anunciar na semana que vem o nome do futuro ministro da Defesa, uma das áreas consideradas mais deliciadas pelos integrantes do governo de transição. O favorito para assumir o posto é o ex-ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) José Múcio, como mostrou o colunista do GLOBO Lauro Jardim. Na mesma ocasião, deverão ser anunciados os comandantes da três Forças.

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A demora para bater martelo a respeito do próximo chefe da pasta reflete a dificuldade de Lula e seus auxiliares de chegarem a um nome palatável para os militares, categoria ligada ao presidente Jair Bolsonaro. Nos bastidores, o presidente eleito tem deixado claro que não abre mão de escolher um civil para comandar a pasta.

Desde o início da transição, interlocutores de Lula procuraram militares da reserva para integrar o grupo de trabalho da Defesa e ajudar a construir pontes com as Forças Armadas. Dentre os nomes que foram sondados, estão dois ex-integrantes do governo de Jair Bolsonaro, o ex-ministro da Defesa Fernando Azevedo e Silva e o ex-comandante do Exército Edson Pujol. Tanto um como outro, porém, declinaram do convite para participar oficialmente do equipe do presidente eleito, mas se colocaram à disposição para intermediar contatos com a caserna e a indicar as principais prioridades do segmento.

Interlocutores de Lula têm dito aos militares que o novo governo quer valorizar a caserna e pacificar o cenário político no país. Nessas conversas, petistas têm ouvido o que são consideradas as principais demandas dos militares: não alterar as regras de aposentadoria da categoria e o sistema de promoção, não mudar sistema de ensino nas academias militares, manter os orçamentos previstos para investimentos prioritária para cada força e discutir a atualização dos textos da Política Nacional de Defesa (PND), da Estratégia Nacional de Defesa (END) e do Livro Branco da Defesa Nacional (LBDN), que tramitam no Congresso.

Conforme mostrou O GLOBO, Lula tem sido aconselhado também a novamente adotar o mesmo critério de antiguidade para escolher os novos comandantes. Na leitura de petistas, isso criaria um “colchão de segurança” para o presidente eleito nomear um civil se sua confiança para ocupar o cargo de ministro da Defesa, cujo nome segue indefinido.

Ao GLOBO ele afirmou que, ao menos até agora, não recebeu convite para ocupar cadeira na Esplanada.

— Não recebi convite algum — resumiu.

Diferentemente do que ocorreu em todas as outras áreas, Lula desistiu de compor um núcleo temático para tratar dos temas relacionados à Defesa, como estava previsto inicialmente. Nesta segunda-feira, ele comunicou a um grupo de militares a sua decisão de definir até a semana que vem o ministro e os comandantes de Exército, Marinha e Aeronáutica. Dessa forma, poderá das questões relacionadas ao setor com o chefe da pasta, num processo sem intermediários.

— A transição será feita, mas num formato diferente das demais áreas — acrescentou José Múcio.