Lula discursa para movimentos negros e apoia coalizão por cem candidaturas

Com sintoma de Covid — chegou a tossir durante o discurso — o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que, pela primeira vez, se deparou na política com um encontro como o realizado nesta segunda-feira pela Coalizão Negra por Direitos, que reúne cerca de 250 movimentos negros no país e pretende alavancar cerca de cem candidaturas à Câmara dos Deputados e assembleias legislativas dos estados para formar uma frente antirracista no país.

O ex-presidente falou ao vivo aos participantes no encontro, por um telão. Ele cancelou a participação presencial no evento, realizado na Ocupação Nove de Julho, em São Paulo. O anúncio de que Lula testou positivo para Covid-19 foi feito no domingo. A assessoria informou que ele está assintomático e sua mulher, a socióloga Rosângela da Silva, conhecida como Janja, também teve resultado positivo e está com sintomas leves.

— O racismo é uma doença que tomou conta do fascismo que governa nosso país -- disse Lula, que considerou o lançamento das candidaturas "extraordinário".

Num discurso curto, com a voz ligeiramente rouca, Lula relembrou os programas dos governos petistas que beneficiaram a população negra, como a política de cotas nas universidades públicas, o Bolsa Família, o Minha Casa, Minha Vida e o acesso ao esgotamento sanitário. Segundo ele, em 2014, 73% dos beneficiados pelo Bolsa Família eram negros, assim como 77% dos que usaram o Minha Casa, Minha Vida.

Lula afirmou que quer contar com os movimentos negros não como coadjuvantes, mas como sujeitos para construir e contar a história e que espera ver negros fazendo concurso para o Ministério Público e o Judiciário, onde há poucos negros, assim como estatais, como Banco do Brasil e Caixa.

— O silêncio faz com que se perpetuar o racismo e o preconceito — afirmou.

O ex-presidente atribuiu ainda ao preconceito as críticas às relações estabelecidas com países africanos durante o governo do PT:

— Queremos tomar conta deste pais e construi-lo democraticamente. Que não tenha distribuição de armas, mas de livros, que não tenha vergonha de ter relação com continente africano — afirmou, lembrando que durante seu governo foram estabelecidas relações diplomáticas com 19 países africanos e houve investimentos como a criação da Universidade Aberta em Moçambique e parcerias com a Embrapa para atuação em Gana.

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