Lula dispensa 40 militares do Alvorada após relatar desconfiança com Forças Armadas

Palácio da Alvorada, em Brasília

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva dispensou 40 militares que davam expediente na Coordenação de Administração do Palácio do Alvorada em meio a suspeitas que ele próprio relatou publicamente de que houve conivência de "gente das Forças Armadas" na invasão e depredação do Palácio do Planalto no dia 8 de janeiro por bolsonaristas extremistas.

As dispensas foram publicadas nesta terça-feira no Diário Oficial da União. A maioria dos integrantes, de baixa patente, é do Exército, mas houve militares da Marinha, Aeronáutica e também da Polícia Militar do Distrito Federal.

Após almoçar com o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e comandantes das Forças Armadas, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, falou sobre a dispensa dos 40 militares do Palácio da Alvorada.

Segundo Costa, a troca dos assessores, que são cargos comissionados, estão ocorrendo e não depende de serem militares e civis, ao ressaltar que são postos de extrema confiança do chefe e ser natural as mudanças porque "o governo que saiu tem pouca ou nenhuma sintonia com o que entrou".

"Vocês têm acompanhado desde que assumimos e assim seguirá e vocês vão ver essa questão mais intensa a partir do dia 23 quando eu diria que roda a chave no sistema para que os novos ministérios passem a existir nos sistemas eletrônicos. O grosso das exonerações e nomeações vai a partir do dia 23", afirmou.

Na semana passada, em café da manhã com jornalistas no Planalto, Lula levantou suspeitas sobre a atuação dos militares nos atos de vandalismo nas sedes dos Três Poderes.

"Eu estou esperando a poeira baixar. Quero ver todas as fitas gravadas dentro da Suprema Corte, dentro do palácio. Teve muito gente conivente. Teve muita gente da PM conivente. Muita gente das Forças Armadas aqui dentro conivente. Eu estou convencido que a porta do Palácio do Planalto foi aberta para essa gente entrar porque não tem porta quebrada. Ou seja, alguém facilitou a entrada deles aqui", disse.

Durante a gestão passada, o governo do então presidente Jair Bolsonaro promoveu milhares de militares a postos de destaque e para uma série de funções com as quais não estavam acostumados.