Lula dispensa 40 militares que trabalhavam no Palácio da Alvorada

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva dispensou 40 militares lotados na residência presidencial, depois de prometer uma "triagem profunda" do efetivo após os atentados de 8 de janeiro em Brasília.

A medida foi publicada nesta terça-feira (17) no Diário Oficial da União e afeta funcionários ligados à coordenação do Palácio da Alvorada, endereço oficial do presidente da República.

Os militares dispensados são de baixa patente -soldados, cabos, sargentos-, alguns dos quais faziam a segurança do local, e continuarão vinculados às Forças Armadas, embora em outras atividades, segundo o portal de notícias G1.

A decisão surge na sequência de um anúncio do presidente, de 77 anos, que na semana passada manifestou desconfiança em relação a alguns militares que desempenham funções auxiliares nas sedes do governo.

Lula, que derrotou Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais de outubro, disse estar convencido de que houve cumplicidade interna e de integrantes das forças de segurança no ataque às sedes dos Três Poderes exatamente uma semana após sua posse.

Em 8 de janeiro, milhares de apoiadores de Bolsonaro invadiram e saquearam o Palácio do Planalto, o Congresso e o Supremo Tribunal Federal, buscando a queda de Lula. Destruíram parte da infraestrutura, vandalizaram os salões do poder e danificaram obras de arte de valor inestimável.

"Alguém facilitou a entrada deles", afirmou o presidente na quinta-feira, referindo-se aos distúrbios no Planalto.

O petista enfatizou que a revisão da equipe de trabalho vai procurar privilegiar "funcionários de carreira, de preferência funcionários civis".

"Não pode ficar ninguém que seja suspeito de ser bolsonarista raiz aqui dentro", declarou.

Lula tentará reunir-se até sexta-feira com os comandantes das Forças Armadas, informou nesta terça-feira a Casa Civil, em comunicado.

O encontro será o primeiro desde que o petista criticou setores policiais e militares pela "conivência" com os invasores. De acordo com a Casa Civil, a "modernização" das Forças Armadas será abordada na reunião.

Bolsonaro, nos Estados Unidos desde antes do fim de seu mandato, nega qualquer ligação com os atos violentos, mas está sendo investigado pelas autoridades brasileiras por suspeita de ter instigado o ataque ao coração político do Brasil.

"Lamento o que aconteceu", disse o ex-presidente a alguns apoiadores em um vídeo divulgado na segunda-feira pela imprensa brasileira. "Inacreditável", acrescentou.

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