Lula dispensa parente de Ustra que integrou comitiva de Bolsonaro nos EUA

Marcelo Ustra está entre os 56 militares dispensados pelo governo

Primo de Brilhante Ustra, Marcelo foi dispensado por Lula - Foto: Reprodução/Facebook
Primo de Brilhante Ustra, Marcelo foi dispensado por Lula - Foto: Reprodução/Facebook

Primo do ex-coronel do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, Marcelo Ustra da Silva Soares está entre as dezenas de militares dispensados pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta terça-feira (17).

Cinquenta e seis dispensados

Informações divulgadas no Diário Oficial da União (DOU) dão conta de que 56 militares ligados à Presidência da República foram dispensados, dias após Lula reclamar da passividade da guarda nos atos terroristas do último dia 8, em Brasília.

Entre as baixas, a maior parte aconteceu nas seguintes áreas:

  • Coordenação de Administração do Palácio da Alvorada

  • Coordenação-Geral de Administração das Residências Oficiais

Ambos os setores estão ligados à Secretaria-Geral do Executivo.

Primo de Ustra

Tenente-coronel do Exército, Marcelo Ustra trabalhava na coordenação geral de operações de segurança presidencial, órgão ligado ao GSI.

Ele já havia atuado como assessor técnico militar do GSI da Presidência da República durante o governo Bolsonaro, entre julho de 2020 e maio de 2021.

O militar é bisneto de Celanira Martins Ustra, avó de Brilhante Ustra, um conhecido torturador da época da ditadura militar.

Comitiva bolsonarista nos EUA

De acordo com informações divulgadas inicialmente pelo portal Brasil de Fato, e confirmadas no Portal da Transparência do Governo Federal, Marcelo Ustra da Silva viajou com a família Bolsonaro a Orlando no fim do ano passado.

Marcelo viajou para Orlando em 28 de dezembro, com a função de trabalhar nos preparativos para a chegada de Bolsonaro, sua esposa, Michelle, e a filha Laura.

Ele foi um dos 24 servidores que decolaram rumo aos Estados Unidos na comitiva do então presidente. Segundo os registros, Marcelo desembarcou de volta ao Brasil em 1º de dezembro.

Ainda de acordo com a documentação, o coronel recebeu R$ 5.570,67 em dinheiro público para bancar suas diárias durante o período em território norte-americano.

Quem foi o coronel Brilhante Ustra

O coronel Brilhante Ustra comandou o Destacamento de Operações de Informação - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), órgão responsável por prender e torturar pessoas contrárias ao regime durante a ditadura militar no Brasil.

A Justiça de São Paulo reconheceu Ustra como torturador em primeira e segunda instância, em decisões de 2008 e 2012.

Exaltação ao primo

Morto em 2015, o ex-coronel é lembrado até hoje por apoiadores golpistas, entre eles o próprio Marcelo, que em novembro do ano passado publicou vídeo com discurso do primo, com a seguinte legenda: "Pelo amor de Deus, ressuscitem esse homem".

Ainda de acordo com a descrição do vídeo, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes "voltaria a usar fraldas" se passasse "uma noite conversando com Ustra no DOI-CODI".

Outro "fã" de Brilhante Ustra é Jair Bolsonaro. Em 2016, quando ainda era deputado, o agora ex-presidente dedicou ao torturador seu voto em favor do impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT).