Lula diz ao Financial Times que há 'três palavras mágicas em governar': credibilidade, previsibilidade e estabilidade

O ex-presidente Lula e pré-candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse ao jornal britânico Financial Times que existem três palavras mágicas em governar: credibilidade, previsibilidade e estabilidade. Na sessão 'The Big Read' do jornal, Lula disse que aos 76 anos está numa fase "mais moderada", e com "mais desejo de fazer as coisas certas".

Na entrevista, concedida em São Paulo, o ex-presidente também prometeu levar o Brasil de volta ao cenário global como uma "grande potência em desenvolvimento", e com maior consciência social e ambiental. O petista prometeu uma nova "patrulha nas fronteiras" para reduzir o desmatamento: "Temos que fazer da preservação da Amazônia uma prioridade".

A publicação britânica relembrou o histórico de Lula, como engraxate e metalúrgico, e afirma que o petista se beneficiou de um "boom econômico" no período em que foi presidente, deixando o cargo em 2010 com uma aprovação acima de 80%. “Eu sabia que se chegasse à presidência do Brasil e meu governo não desse certo, um trabalhador nunca mais poderia pensar em ser presidente”, declarou.

Questionado sobre os ataques de descrédito ao sistema eleitoral feitos pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) e sobre um eventual cenário de o Brasil viver um episódio similar ao da invasão do Capitólio nos Estados Unidos, quando apoiadores do então presidente Donald Trump tentaram impedir a transição de poder, Lula afirma que Bolsonaro "blefa" e que, se tentar dar um golpe para permanecer no poder, ficará isolado em sua empreitada. Também rejeita a possibilidade de uma crise pós-eleitoral similar à americana ou intervenção militar.

O petista recorreu a uma memória afetiva para endossar seu compromisso com a responsabilidade fiscal — a despeito de defender o fim do teto de gastos em detrimento de maior investimento na área social. Ele diz ter aprendido desde cedo com sua mãe que não se pode gastar mais do que ganha. E confiou ao combate à pobreza a alavancagem da economia: "Quando o povo pobre deixa de ser muito pobre e passa a consumir saúde, educação e bens, toda a economia cresce".

Lula critica a elite econômica brasileira, a qual ele diz ter uma "mentalidade escravista", e diz que "se houve corrupção (nos governos do PT), ela foi investigada e as pessoas (envolvidas) pagaram o preço pelos seus erros". Também classificou a operação Lava-Jato de "ação política" que teve como um dos objetivos impedir sua eleição em 2018, ano em que foi preso em abril quando liderava as pesquisas eleitorais.

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