Lula diz a domésticas que Janja, Lu Alckmin e Ana Estela Haddad entendem mais de mulher que ele

SÃO BERNARDO DO CAMPO, SP, 04.09.2022 - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao lado de seu vice Geraldo Alckmin, o candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad e o candidato ao senado Marcio França se encontram com trabalhadoras domésticas neste domingo,  no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. (Foto: Bruno Santos/Folhapress)
SÃO BERNARDO DO CAMPO, SP, 04.09.2022 - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao lado de seu vice Geraldo Alckmin, o candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad e o candidato ao senado Marcio França se encontram com trabalhadoras domésticas neste domingo, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. (Foto: Bruno Santos/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que Janja, Ana Estela Haddad e Lu Alckmin "entendem mais de mulheres do que nós três (referindo-se a Geraldo Alckmin e Fernando Haddad e ele)" e deveriam ler a carta elaborada por entidades que representam as empregadas domésticas durante evento no Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, em São Bernardo do Campo (SP), na manhã deste domingo (4).

Lula também acenou ao público evangélico ao criticar o presidente Jair Bolsonaro (PL). "A maior mentira que ele conta é invocar o nome de Jesus toda hora", disse ao criticar Bolsonaro. "Fairiseu mente, e a gente não pode acreditar nessas mentiras pra não amargar o pão que o diabo amassou".

O candidato também criticou os decretos de flexibilização da posse de armas, editados pelo atual presidente, e disse que revogará os atos, se eleito. "Não haverá decreto de armas nesse país, haverá decreto de livros" afirmou, dizendo que as normas beneficiam as organizações criminosas, que não precisam mais roubar equipamentos das forças policiais.

"Nunca tive interesse em ter arma, eu tenho a fé em Deus e meu comportamento, e essa é a minha proteção", afirmou o postulante antes de encerrar o discurso.

O evento de campanha foi dedicado às empregadas domésticas, com quase a totalidade da plateia formada por mulheres. Várias representantes deram depoimentos sobre sua vivência enquanto empregada doméstica e as políticas que as favoreceram nos mandatos do petista e de Dilma Rousseff (PT).

Participaram do evento o candidato a vice, Geraldo Alckmin (PSB), sua mulher, Lu Alckmin, o candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, sua mulher, a professora Ana Estela Haddad, Márcio França (PSB), que concorre ao Senado, Janja, mulher de Lula, e a presidente do PT, Gleisi Hoffmann.

Lula chegou no Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo, alguns minutos antes do evento, e cumprimentou apoiadores presentes, que entoaram cantigas em favor do candidato.

Para acessar o auditório onde Lula discursou, no terceiro andar do prédio, a segurança foi reforçada. Seguranças anotavam o nome e RG de cada um que chegava e era preciso passar por detectores de metais. Mochilas e bolsas eram revistadas, e as escadas de emergência foram fechadas para controlar o acesso do público, feito somente por dois elevadores.

Em vídeo apresentado durante o evento, foram listadas as iniciativas de seus governos em prol das mulheres, como a PEC das Domésticas. Foram apresentadas também propostas como a criação do Ministério da Mulher, criação de abrigos para mulheres vítimas de violência, retomada do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida e aumento de vagas em creches.

Gleisi Hoffmann também discursou, exaltando as políticas públicas dos governos de Lula e Dilma e criticando Bolsonaro, afirmando que o atual mandatário estimula a violência contra as mulheres.

"Já imaginaram o que acontece em uma casa com arma?" questionou Hoffmann em menção à fala do presidente se uma mulher sozinha na rua iria preferir uma arma ou a Lei Maria da Penha. "Não dá para ter a política do ódio, a política do armamento", disse.

Já Haddad e Alckmin atacaram Bolsonaro. "A sociedade que eu quero para meus netos e descendentes é a que Bolsonaro não terá um único voto", disse o candidato do PT ao governo de São Paulo. Alckmin chegou a se referir a Bolsonaro como "Bozo" e disse que "um programa de governo é feito na conversa, ouvindo as pessoas, e não fazendo motociata e nem [andando] de jet ski", disse.

Mulheres em pauta e escorregões de Lula No evento, Márcio França disse que "são as mulheres que vão decidir essa eleição", pedindo que as presentes tentem convencer os homens e aqueles ao seu redor. O público feminino, maioria da população brasileira e do eleitorado, é foco tanto de Lula quanto de Bolsonaro em suas campanhas.

Os dois candidatos, porém, acumulam escorregões e declarações negativas sobre as mulheres e suas pautas.

Lula, por exemplo, afirmou durante comício realizado na última quinta-feira (1º) em Belém (PA), que o homem deve ir para a cozinha "ajudar no serviço da mulher". Após o episódio, em evento em São Luís (MA) realizado no sábado (3), criticou o machismo entre homens que se colocam como progressistas, acenou à figura materna e deu protagonismo a trabalhadoras.

Antes, o petista cometeu outra gafe ao falar sobre violência contra a mulher em 20 de agosto. "Quer bater em mulher? Vá bater em outro lugar, mas não dentro da sua casa ou no Brasil, porque nós não podemos aceitar mais isso", declarou.

Já Bolsonaro acumula declarações machistas. Para além da frase citada por Gleisi Hoffmann no evento, o atual presidente declarou, em tom de brincadeira, que notícia boa para mulher é "beijinho, rosa, presente, férias". A piada machista foi feita durante sua transmissão semanal nas redes sociais, na última quinta-feira (1º).

O candidato à reeleição coleciona declarações machistas desde que era deputado e disse que não estupraria Maria do Rosário (PT-RS) porque ela "não merecia".

No debate realizado no domingo (28) entre presidenciáveis, Bolsonaro foi criticado por atacar a jornalista Vera Magalhães e dizer que ela "dorme pensando" nele e que teria uma "paixão" por ele. Também disse que Simone Tebet (MDB) era "uma vergonha".