Lula diz em carta que irá combinar responsabilidade fiscal, social e desenvolvimento sustentável se eleito

Lula faz campanha em Belo Horizonte

Por Lisandra Paraguassu e Maria Carolina Marcello

(Reuters) - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgou carta aberta nesta quinta-feira afirmando, entre outros pontos, que vai aliar responsabilidade fiscal, social e desenvolvimento sustentável para governar o país.

"A política fiscal responsável deve seguir regras claras e realistas, com compromissos plurianuais, compatíveis com o enfrentamento da emergência social que vivemos e com a necessidade de reativar o investimento público e privado para arrancar o país da estagnação", disse Lula no documento intitulado "Carta para o Brasil de Amanhã".

"É possível combinar responsabilidade fiscal, responsabilidade social e desenvolvimento sustentável – e é isso que vamos fazer, seguindo as tendências das principais economias do mundo", acrescentou.

O documento remete à "Carta ao Povo Brasileiro" divulgada por Lula na campanha de 2002 com promessa de governar com responsabilidade fiscal, em um aceno ao mercado financeiro.

Fontes da campanha, no entanto, afirmam que essa não é a intenção.

A carta faz um resumo das propostas que Lula tem apresentado ao longo da campanha em diversas áreas, de emprego e crescimento a controle de armas, em 13 pontos.

“O Brasil precisa de um governo que volte a cuidar da nossa gente, especialmente de quem mais necessita. Precisa de paz, democracia e diálogo. É com a força do nosso legado e os olhos voltados para o futuro que dirijo esta carta para o Brasil do amanhã”, disse o ex-presidente em suas redes sociais ao divulgar o documento.

No texto, Lula se compromete novamente com o ganho real do salário mínimo, a volta do Bolsa Família com valor de 600 reais, além de 150 reais para cada criança até seis anos, isenção de Imposto de Renda para quem ganha até 5 mil reais e um programa de renegociação de dívidas.

São pontos em que o PT aposta para acelerar a economia, aumentando a renda das pessoas e permitindo maior poder aquisitivo.

Entram nessa lista também a decisão de investimentos em obras de infraestrutura e retomada de obras paradas. O setor de construção civil é um dos que mais emprega no país, e a intenção é usar essas obras para também ajudar a dinamizar o mercado de trabalho.

“Essa não é uma eleição qualquer e o que está em jogo é a escolha entre dois projetos completamente diferentes para o país”, diz o texto, que classifica o governo Bolsonaro de “um Brasil de medo e insegurança”, enquanto a candidatura de Lula seria o “Brasil da Esperança”.

“As primeiras medidas de nosso governo serão para resgatar da fome 33 milhões de brasileiros e resgatar da pobreza mais de 100 milhões de brasileiros e brasileiras”, diz a carta.

“Temos consciência da nossa responsabilidade histórica e, junto com amplas forças que apoiam a democracia brasileira, a partir de um permanente processo de diálogo e escuta da sociedade, apresentamos nossas principais propostas para reconstrução do país.”

A divulgação de que haveria uma carta da campanha petista chegou a movimentar os mercados financeiros. No momento da divulgação a bolsa chegou a acelerar a subida, indo a 3%, enquanto o dólar caiu 2,6%.

No entanto, depois que se verificou que o texto, na verdade, não trazia novidades para além daquilo que Lula já vinha dizendo em suas entrevistas e discursos, o ritmo voltou ao normal.

Pesquisas divulgadas nesta quinta-feira mostram Lula à frente de Bolsonaro. O levantamento da AtlasIntel mostrou Lula com 52,4% das intenções de voto contra 46% de Bolsonaro. A diferença entre eles passou de 5,8 pontos para 6,4 pontos desde o último levantamento.

Já no DataFolha o ex-presidente aparece com 49% das intenções de voto, contra 44% de Bolsonaro --na semana passada o placar era 49% a 45%.