Lula diz que Bolsonaro 'cria caso' com urnas porque sabe que perderá eleição

GARANHUNS, PE, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o presidente Jair Bolsonaro (PL) está atacando as urnas eletrônicas e o processo eleitoral porque sabe que irá perder as eleições em outubro.

"Ele já sabe que vai perder as eleições e está aí inventando mentira contra urnas. Ele foi eleito todas as vezes por urna eletrônica. Ele está querendo criar caso, está desconfiando das urnas, mas no fundo ele não quer que o povo trabalhador desse país vote", afirmou Lula.

"Se tem uma vez que a urna eletrônica permitiu que o roubo prevalecesse foi em 2018 quando ele ganhou por conta das fake news", continuou o petista.

O ex-presidente participou nesta quarta-feira (20) de ato em Garanhuns, que fica a 230 km do Recife.

Ele também criticou o pacote de auxílios articulado por Bolsonaro e voltou a sugerir que o eleitor dê uma banana ao atual mandatário na hora de votar. "Não fique se fazendo de bobo, não. Se cair o dinheiro na conta de vocês, gaste e depois dê uma banana para eles".

No começo de seu discurso, Lula reafirmou que seu candidato ao Governo de Pernambuco é Danilo Cabral (PSB). "Não confundo a minha relação pessoal com a minha relação política. O PT tem um compromisso nacional com o PSB e eu sou do tempo em que não precisava documento, era no fio do bigode."

E continuou: "Eu quero cumprir o compromisso com o PSB e quero que o PSB cumpra o compromisso com o PT. Porque se a gente não fizer assim, a gente não cria base para construir uma coalizão capaz de ensinar a sociedade brasileira a conviver democraticamente".

O ex-presidente também falou sobre desejar que o Brasil seja um país soberano e atacou o ex-ministro da Saúde e general Eduardo Pazuello.

"A gente precisava ter uma força militar para cuidar disso. Mas não uma força militar com general mentiroso como Pazuello, uma força militar de brasileiros nacionalistas que sabem que não há soberania se o povo não tiver emprego, comida, educação, cidadania", afirmou.

Lula estava acompanhado do seu vice na chapa, o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB), do governador Paulo Câmara (PSB), do pré-candidato a governador do PSB, deputado federal Danilo Cabral, e da pré-candidata a senadora da chapa, a deputada estadual Teresa Leitão (PT).

Em seu discurso, Alckmin agradeceu a Garanhuns por ter dado ao Brasil o ex-presidente Lula, "estadista que não é fruto da herança política nem da fortuna pessoal, mas da luta do povo".

Alckmin também citou o ex-governador Eduardo Campos, morto em acidente de avião em 2014.

"Quero fazer uma homenagem àquele que foi meu colega como governador, o saudoso e querido Eduardo Campos que a vida levou tão jovem. Ele nos dizia para não desistir do Brasil. Política é esperança."

Paulo Câmara e o prefeito do Recife, João Campos (PSB), foram vaiados ao serem chamados para o palco. Na subida de Danilo Cabral, a plateia se dividiu entre aplausos e vaias.

No ato também foi oficializado que a atual vice-governadora do estado, Luciana Santos, presidente nacional do PC do B, ocupará a vaga de vice na chapa de Danilo. A comunista foi escolhida com o aval de Lula.

O objetivo do PSB é que ela ajude a reforçar a ligação de Danilo Cabral com o petista e faça embates com a deputada federal Marília Arraes (Solidariedade), pré-candidata ao governo estadual.

Em sua fala, Teresa Leitão cometeu uma gafe e chamou a covereadora de Garanhuns Marília Ferro de Marília Arraes —e foi aplaudida por apoiadores. Ela se corrigiu imediatamente depois e repetiu o nome de Marília Ferro por mais de uma vez.

Entre os espectadores havia indígenas e integrantes de movimentos sociais e de partidos políticos, além de apoiadores de Lula e do PT. Do lado de fora do espaço de eventos, trabalhadores informais vendiam toalhas, camisas e bandeiras alusivas a Lula e ao PT.

Para entrar no local, as pessoas precisaram passar por revista feita pelos seguranças com detector de metal. A segurança tem sido uma das principais preocupações da pré-campanha de Lula.

Na plateia, estavam presentes pessoas ligadas a Danilo e a Marília, que disputam o espólio de votos lulistas no estado. Oficialmente, Lula apoia o pré-candidato do PSB.

Como a Folha mostrou, a visita de Lula a Pernambuco é tida como relevante pelo PSB para alavancar a campanha de Danilo. O partido governa Pernambuco desde 2007, com dois governos de Eduardo Campos e dois do atual governador, Paulo Câmara.

Com Paulo Câmara sob desgaste na avaliação do governo, Danilo Cabral conta com a associação a Lula para subir nas pesquisas de intenção de voto. Ele já se desculpou publicamente por ter apoiado o impeachment de Dilma Rousseff em 2016.

Líder nas pesquisas de intenção de voto, a ex-petista Marília Arraes não participa das agendas com Lula, assim como o pré-candidato a governador João Arnaldo (PSOL), que também apoia o ex-presidente.

Antes do ato público, Lula visitou uma réplica da casa onde nasceu na zona rural de Caetés, no agreste de Pernambuco. Quando o ex-presidente nasceu, a cidade pertencia a Garanhuns, cidade vizinha.

A casa foi construída com ajuda financeira de militantes do PT e de parentes do ex-presidente. O imóvel tem estrutura pequena e conta apenas com uma sala, um quarto e uma cozinha, similar à estrutura de muitas casas do período em que Lula morou na infância em Pernambuco antes de ir com a mãe, Lindu, e irmãos para São Paulo em um caminhão pau de arara.

Na casa, Lula estava acompanhado de aliados locais e de Alckmin. Eles gravaram imagens no local para a propaganda eleitoral de rádio e televisão, que começa a ser exibida no final de agosto. O petista também plantou uma árvore no terreno.

O ex-presidente desembarcou no Recife na noite da terça-feira (19). Desde então, é acompanhado por aliados do PT nacional e local, além de integrantes de outras legendas que apoiam a sua candidatura.

Na tarde desta quarta, Lula estará em Serra Talhada, no Sertão, a 415 quilômetros do Recife, onde fará um comício. O município de 87 mil habitantes é governado pelo PT há dez anos.

Lula ficará em Pernambuco até a quinta (21), mesmo dia em que, em São Paulo e sem a sua presença, será realizada a convenção que oficializará a candidatura do petista.

No mesmo dia, já com status de candidato a presidente, Lula terá um encontro com representantes da cultura de Pernambuco no Teatro do Parque, no Centro do Recife, pela manhã. À tarde, o petista fará um ato aberto ao público em uma casa de eventos de Olinda, na Região Metropolitana da capital.

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