Lula diz que fica à vontade para discutir corrupção, após escorregar no JN e em debate

*ARQUIVO* São Paulo, SP, BRASIL, 21-06-2022: Os pré-candidatos à Presidência pelo movimento Vamos Juntos Pelo Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin. (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)
*ARQUIVO* São Paulo, SP, BRASIL, 21-06-2022: Os pré-candidatos à Presidência pelo movimento Vamos Juntos Pelo Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin. (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira (30) que fica muito à vontade para discutir corrupção, ao contrário do que transpareceu tanto na entrevista ao Jornal Nacional da semana passada como no debate dos presidenciáveis no último domingo (30).

"Nós temos muitos assuntos para discutir, mas as pessoas preferem discutir corrupção. Porque na discussão você pode mentir, você pode falar o que você quiser."

"E eu fico muito à vontade com essa discussão, porque eu tenho orgulho ter sido o presidente da República que mais criou instrumentos para combater a corrupção", disse o petista à rádio Mais Brasil do Amazonas.

Como mostrou o jornal Folha de S.Paulo, a resposta tímida do ex-presidente à ofensiva do presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre o tema corrupção durante o debate de domingo (28) provocou apreensão no comando da campanha do petista.

Integrantes da equipe avaliam que Lula perdeu o timing ao ser questionado sobre corrupção na Petrobras pelo chefe do Executivo, seu principal adversário na corrida eleitoral. Militantes do partido cobraram nas redes uma reação mais enfática do ex-presidente.

Apesar disso, a cúpula da campanha resiste à mudança na estratégia definida até o momento --de não dar enfoque ao tema.

Nas palavras de um integrante da cúpula petista, Lula não pretende levar o debate "ao pântano" que, na opinião dele, seria uma zona de conforto para Bolsonaro. A campanha, dizem aliados, segue pautada por temas da economia.

A ideia, segundo interlocutores de Lula, é fazer com que o tema seja abordado em peças divulgadas nas redes sociais e durante entrevistas concedidas pelo ex-presidente --e, a princípio, não levar o assunto ao horário eleitoral em rádio e TV.

Nos últimos dias, a campanha do ex-presidente adotou uma estratégia na internet para tentar descolar de sua imagem casos de corrupção. O partido gastou mais de R$ 100 mil em anúncios no YouTube e no Google com defesas de Lula. Na plataforma de vídeos, a campanha comprou espaço para veicular uma edição de um trecho da entrevista ao Jornal Nacional, feita na última quinta-feira (25).

O vídeo reproduz a abertura da entrevista na Globo, em que William Bonner relembra os julgamentos do ex-presidente na Lava Jato e o fato de ele ter tido suas condenações anuladas. "O senhor não deve nada à Justiça", conclui o apresentador.

A Globo havia autorizado o uso das imagens, desde que representassem 30% do total da entrevista. "Procurado pela Globo, o PT informou que a peça será retirada do ar", informou a emissora em nota à Folha de S.Paulo.