Lula minimiza repercussão de fala sobre economia: ‘mercado fica nervoso à toa'

Em discurso no DF, Lula questionou as regras que limitam os gastos públicos e sugeriu existir uma incompatibilidade entre assistência social e responsabilidade fiscal -  Foto: AP Photo/Eraldo Peres
Em discurso no DF, Lula questionou as regras que limitam os gastos públicos e sugeriu existir uma incompatibilidade entre assistência social e responsabilidade fiscal - Foto: AP Photo/Eraldo Peres

Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente eleito, tentou minimizar a reação do mercado financeiro após repercussão sobre uma fala dele nesta quinta-feira (10), quando disse que a estabilidade fiscal não pode ser conquistada à custa do sofrimento das pessoas.

Após ganhar a eleição, Lula visitou pela primeira vez o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sede do governo de transição. No espaço, o petista comentou que o "mercado fica nervoso à toa".

“O mercado fica nervoso à toa. Eu nunca vi um mercado tão sensível como o nosso. É engraçado que esse mercado não ficou nervoso com quatro anos do Bolsonaro”, disse Lula no fim da tarde desta quinta ao deixar o CCBB.

Antes disso, no início da tarde, ele fez um longo pronunciamento, no qual chegou a se emocionar ao relatar que não esperava ver a volta da fome no país.

Na ocasião, Lula questionou as regras que limitam os gastos públicos e sugeriu existir uma incompatibilidade entre assistência social e responsabilidade fiscal. Segundo o petista, pessoas pobres "são levadas a sofrer" para que o governo possa garantir a estabilidade fiscal do Brasil.

"Por que as pessoas são levadas a sofrer por conta de garantir a tal da estabilidade fiscal nesse país? Por que toda hora as pessoas falam que é preciso cortar gasto, que é preciso fazer superávit, que é preciso fazer teto de gasto? Por que as mesmas pessoas que discutem com seriedade o teto de gasto não discutem a questão social deste país?".

Após o discurso do petista, o dólar fechou em alta de mais de 4%, maior crescimento diário desde março de 2020, e o Ibovespa caiu 3,61%.

Além desse, outros dois fatores apontados por analistas que teriam contribuído à reação negativa do mercado são as discussões sobre a PEC da Transição, na qual o novo governo quer a exclusão do orçamento do Bolsa Família do teto dos gastos da União, e a inclusão do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega na equipe de transição de governo.

Apesar de a PEC ainda não ter sido apresentada, ela vem sendo cogitada pela equipe do petista como a principal alternativa para abrir espaço fiscal e garantir a continuidade do Auxílio Brasil (futuro Bolsa Família) de R$ 600 por mês em 2023.

"Eu não sei [quando será apresentada]. Eu não estou negociando. Quem está negociando é o Alckmin e o Aloizio Mercadante", respondeu Lula.