Lula diz que próximo presidente pegará país ‘infinitamente pior’ do que há 20 anos

Em discurso a entidades do comércio, o pré-candidato à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta terça-feira, em Brasília, que qualquer presidente que assumir o mandato em 2023 terá um cenário “infinitamente pior” do que o momento em que o petista assumiu o poder, em 2003.

— Eu tenho consciência de que nós estamos entrando num momento político do Brasil que quem for presidente pegará o Brasil infinitamente pior do que aquele que peguei do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em primeiro de janeiro de 2003. Eu vou repetir: infinitamente pior. Seja do ponto de vista político, econômico, social ou da relação entre poderes.

Em seguida, Lula disse que precisará pacificar a relação entre os Poderes para que o país volte a crescer e se desenvolver.

— Eu digo que temos que voltar à normalidade. E o que isso quer dizer? Cada um cumprir a sua função. Está na própria Constituição. A Suprema Corte tem que fazer com que a Constituição seja cumprida; o Poder Legislativo tem que legislar; e o Executivo governar. Se tudo isso acontecer, o Brasil volta a viver a sua normalidade e a viver bem.

O ex-presidente falou sobre o assunto ao lado do vice em sua chapa, Geraldo Alckmin (PSB), em encontro da Confederação Nacional do Comércio (CNC), em Brasília. Na reunião, estiveram 34 diretores de federações de vários ramos do comércio.

Após o assassinato de dirigente do PT em Foz do Iguaçu, no Paraná, a segurança do ex-presidente foi reforçada. Na sede da CNC, o espaço foi reservado apenas para diretores da confederação. Lula entrou por uma área privativa. A imprensa, que ficou em local separado do auditório, em um salão sem acesso ao evento, passou por detectores de metal e revista

Na ocasião, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, entregou propostas do setor para legislação empresarial, tributária e trabalhista, além de políticas de crédito, para o comércio, micro e pequenas empresas e infraestrutura

Em seguida, Lula seguiu para um ato político público no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Para receber o grande público, os militantes também foram revistados antes de entrar no local. O ex-presidente ainda fará o discurso aos apoiadores nesta noite.

Com foco em ampliar o espectro político das alianças eleitorais para além da esquerda, mais cedo, Lula usou as primeiras agendas de sua viagem a Brasília para avançar em articulações com políticos do PSD e dissidentes do MDB que não apoiam a pré-candidatura de Simone Tebet (MDB) à presidência. Em um hotel na área central da capital federal, o ex-presidente recebeu pela manhã e no começo da tarde senadores e deputados dos dois partidos em conversas com dirigentes do PT. Atualmente, o arco de alianças de Lula é formado por sete partidos: PT, PCdoB, PV, PSB, PSOL, Solidariedade, Rede.

Pela manhã, Lula falou com nomes do PSD do Amazonas, os deputados Marcelo Ramos e Sidney Leite e o senador Omar Aziz. Na conversa, Ramos e Aziz defenderam a reeleição do senador como prioridade do grupo e disseram que, por não terem um candidato ao governo do Amazonas viável, irão apoiar o nome escolhido por Lula. O ex-presidente tem conversas avançadas para fechar apoio à candidatura do senador Eduardo Braga, líder do MDB no Senado.

— Vejo como um movimento de menos esforço eleitoral e mais esforço para, em ganhando a eleição, governar o país no pós-Bolsonaro com uma aliança que espelhe melhor a diversidade do povo brasileiro, que não fique restrita só a esquerda — avalia Ramos.

O PT não apresentou candidato ao governo do Amazonas e Braga tem se empenhado para ter Lula em seu palanque. A presidente da legenda, Gleisi Hoffmann, o líder do PT na Câmara, José Guimarães (PT-CE), o secretário de Relações Internacionais do PT, Romênio Pereira e o presidente do PT no Amazonas, Sinésio Campos, também participaram das conversas.

— Lula tem um compromisso com essa região de retomar todos os programas que foram descontruídos por Bolsonaro. Lula também demonstrou apoio irrestrito a Omar Aziz — afirmou Guimarães

Aziz articulou ainda uma visita de Lula a Manaus (AM) e Belém (PA), com o apoio do governador Helder Barbalho. O ex-presidente também conversou o senador Alexandre Silveira (PSD-MG), que tem feito interlocução entre Lula e Gilberto Kassab, presidente da legenda. Na semana passada, Kassab fechou apoio a pré-candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), candidato de Bolsonaro ao governo de São Paulo, mas em Minas Gerais, o PSD estará com o PT para apoiar a pré-candidatura de Alexandre Kalil (PSD-MG).

Enquanto recebia Eduardo Braga, à tarde, Lula falou ao telefone com Renan Calheiros (MDB-AL). O ex-presidente e o cacique do emedebista combinaram uma reunião na segunda-feira, em São Paulo, com os dirigentes regionais do MDB que abrirão palanque ao PT. Nos cálculos de Braga, o MDB estará com Lula em até dez estados e o encontro de segunda servirá para sacramentar as alianças. Também participaram da conversa Gleisi, José Guimarães, o ex-ministro Aloizio Mercadante, responsável pela elaboração do plano de governo, e o deputado Márcio Macedo, o tesoureiro da campanha de Lula.

— Lula estará nesta reunião em São Paulo, às 16h, que deverá ter representantes de nove a dez estados — disse Braga.

Ao receber aliados em Brasília, ex-presidente Lula manifestou preocupação com a escalada da violência na pré-campanha presidencial e avisou aliados que esta será uma eleição dura, que se dará em um ambiente perigoso. O próprio citou aos interlocutores os casos de Uberlândia, onde drone arremessou material com forte odor sobre a militância, a bomba jogada em ato de Lula na Cinelândia, no Rio de Janeiro, e, por último, o assassinato de Marcelo Arruda durante sua festa de aniversário em Foz do Iguaçu, no último sábado, 9, por um policial bolsonarista.

Segundo o relato do deputado Marcelo Ramos (PSD-AM), Lula também disse a aliados que a missão do grupo nesta eleição é "reestabelecer a ordem institucional do país e fazer o brasileiro comer três vezes por dia".

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