Lula diz que PT 'tem que aprender a conversar' com o Centrão

Em declaração dada à imprensa nesta quarta-feira após um dia de reuniões com os presidentes dos Poderes, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o "centrão é uma composição de vários partidos políticos que o PT tem que aprender a conversar". O grupo de partidos conhecido como Centrão foi a principal base de apoio de governo Jair Bolsonaro (PL) ao longo dos últimos dois anos. Lula ainda disse que não pretende interferir na escolha dos próximos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado.

Veja também: 'Não enxergo essa coisa de Centrão, enxergo deputados eleitos', diz Lula sobre base no Congresso

Leia: Após reunião com integrantes do Judiciário e Congresso, Lula diz que 'é possível recuperar harmonia entre Poderes'

— O centrão é uma composição de vários partidos políticos que o PT tem que aprender a conversar, que o Alckmin tem que aprender a conversar e que eu tenho que aprender a conversar e tentar convencer da nossa proposta — afirmou.

O pronunciamento de Lula ocorreu após reunião com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes. O presidente eleito falou à imprensa pela primeira vez desde que chegou a Brasília nesta terça-feira.

TRE-PR: Técnicos da Justiça Eleitoral encontram falhas na prestação de contas de Moro

Entenda: Gilmar Mendes determina desbloqueio de bens de Marisa Letícia, mulher de Lula morta em 2017

Ainda segundo o presidente eleito, não há no Congresso essa coisa de "Centrão", mas um grupo de "deputados eleitos".

— Eu não enxergo na Câmara, no Senado, essa coisa de Centrão, eu enxergo deputados eleitos que vamos ter que conversar com eles para garantir as coisas que serão necessárias para melhorar a vida do povo brasileiro. Nós voltamos a governar o país não há tempo para vingança, não há tempo para raiva não há tempo para ódio, o tempo é de governar — disse.

PEC da transição

Lula ainda falou sobre a elaboração de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para acomodar as promessas feitas na campanha a respeito do Bolsa Família e do salário mínimo.

— Meu coordenador Alckmin vai sentar com o presidente da Câmara, presidente do Senado, e vai montar o cronograma e dizer o que queremos de verdade nessa PEC. O que eu quero agradecer é que houve muita disposição do presidente da Câmara e muita disposção do presidente do Cenado de fazer com que as coisas aconteçam com a maior pressa possível. Tem um prazo para votar o orçamento — explicou.

Ainda segundo o presidente eleito, há um otimismo dentro do time da transição para a aprovação da PEC por haver "disposição".

— Não é um projeto para beneficiar o presidente Lula ou o vice-presidente Alckmin, é um projeto para recuperar a capacidade de investimento nas coisas essenciais para o povo brasileiro. É assim, e nós vamos fazer com a certeza que vai ser aprovado — disse.

Mais cedo nesta quarta-feira, Lula esteve reunido com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL).

— Nosso papel é saber o seguinte, não cabe ao presidente da república interferir no funcionamento da Câmara nem do Senado. nós somos poderes autônomos, nem eles interferem no nosso comportamento, nem nós no deles e assim a sociedade vai viver normalmente, democraticamente — afirmou.

O presidente eleito também se encontrou nesta quarta-feira com a a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber, e os ministros Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Luiz Fux, Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Nunes Marques e André Mendonça.

Todas as reuniões desta quarta contaram com a presença do vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, a deputada federal e presidente do PT, Gleisi Hoffmann, o senador Randolfe Rodrigues, o senador eleito Flávio Dino, o deputado federal eleito Paulo Teixeira, o ex-ministro Aloizio Mercadante, os advogados Eugênio Aragão e Cristiano Zanin e o procurador da Fazenda Nacional Jorge Messias, que é cotado para assumir a Advocacia-Geral da União (AGU).