Lula diz que redução de jornada de trabalho depende de iniciativa popular e Congresso

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Por Eduardo Simões

SÃO PAULO (Reuters) - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), líder nas pesquisas de intenção de voto para presidente, disse nesta quinta-feira que uma eventual redução da jornada de trabalho depende de um projeto de iniciativa popular e da aprovação do Congresso, descartando a medida como uma iniciativa do governo.

Em discurso durante reunião com membros de entidades que representam os idosos e aposentados, em São Paulo, Lula também disse que, se eleito, recriará o Ministério da Previdência Social, extinto no governo Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição.

No atual governo, a área da Previdência foi encaixada inicialmente no Ministério da Economia, sendo posteriormente integrado no Ministério do Trabalho e Previdência. Durante as gestões petistas, Trabalho e Previdência eram pastas separadas.

"Quando os dirigentes sindicais me procuravam 'ah, presidente, nós queremos redução da jornada de trabalho', eu falava: não peçam para mim", contou Lula, ao relembrar o período que ocupava o Palácio do Planalto.

"Não tem redução da jornada de trabalho por medida provisória, vocês vão na porta de fábrica, pegam assinatura e vão fazer com que a gente tenha um projeto de lei de iniciativa popular com dois, três milhões de assinatura e vamos levar para o Congresso, porque se sair de cima para baixo não funciona", disse.

Lula, que tem ampla vantagem sobre Bolsonaro entre os eleitores com mais de 60 anos, segundo as pesquisas, também pediu que os idosos saiam para votar em 2 de outubro. Pessoas com mais de 70 anos --como é o caso de Lula que tem 76-- não são obrigadas a votar.

"Não fique cansado no dia 2", disse o petista.

Levantamento Genial/Quaest, divulgado na véspera, dá ao petista 48% a 31% nesta faixa etária, enquanto pesquisa Ipec, divulgada na segunda, coloca o placar em 50% a 29% e o Datafolha da semana passada em 45% a 32%.