Lula diz que relatório dos militares é 'humilhante' e cobra desculpas de Bolsonaro

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Lula classificou como "humilhante" o relatório produzido por militares do Ministério da Defesa sobre as urnas eletrônicas. (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)
  • Lula definiu como "humilhante" o relatório feito pelos militares sobre as urnas;

  • Presidente eleito criticou Jair Bolsonaro por usar "uma instituição séria" nas eleições;

  • Para o petista, o atual mandatário deveria pedir desculpas às Forças Armadas e à população.

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) definiu como “humilhante” o resultado do relatório das Forças Armadas na fiscalização das urnas eletrônicas. Em discurso nesta quinta-feira (10), o petista defendeu que Jair Bolsonaro (PL) deveria “pedir desculpas” por usar “uma instituição séria”.

"O resultado foi humilhante, humilhante. Eu não sei se o presidente está doente, mas ele tem a obrigação de vir à televisão e pedir desculpas para a sociedade brasileira e pedir desculpas às Forças Armadas, por ter usado as Forças Armadas, que é uma instituição séria, que é uma garantia para o povo brasileiro contra possíveis inimigos externos, fosse humilhada, apresentando um relatório que não diz nada, nada, absolutamente nada daquilo que ele durante tanto tempo acusou", apontou.

Em diversas ocasiões, Bolsonaro atacou as urnas e afirmou que o sistema não era confiável. O relatório das Forças Armadas, no entanto, não traz nenhuma evidência de uma eventual fraude no processo eleitoral.

Definido pelo atual mandatário como fundamental para atestar a segurança do pleito, o documento produzido pelos militares foi entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta terça-feira (9).

Apesar de trazer críticas a pontos que avaliam como insuficientes para o que consideram uma avaliação completa do processo, o sistema não foi definido nem como íntegro, nem como fraudulento.

Para Lula, Bolsonaro “não tinha o direito” de envolver as Forças Armadas para realizar uma tarefa que “é da sociedade civil, dos partidos políticos e do congresso nacional".

Em contrapartida, o petista elogiou a atuação do ministro Alexandre de Moraes, presidente do TSE. "O que importa é que ele foi de muita coragem, muita dignidade na lisura e no compromisso de eleições”.

O discurso foi realizado no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de Brasília, onde são feitos os trabalhos para a transição de governo. Esta foi a primeira vez que Lula visitou o local. Na ocasião, garantiu que o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), não será ministro e se emocionou ao dizer que se conseguir combater a fome no Brasil “terá cumprido sua missão de vida”.