Lula diz que tribunais impediram pleito livre e PT lança Haddad para "ganhar a eleição"

Por Lisandra Paraguassu
Haddad, com apoiadores e Manoela D´´Avila (D) em Curitiba 11/9/2018 REUTERS/Rodolfo Buhrer

Por Lisandra Paraguassu

CURITIBA (Reuters) - O PT formalizou nesta terça-feira o nome de Fernando Haddad para substituir na disputa ao Planalto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial, que voltou a atacar os tribunais por impedirem uma eleição livre.

"Vocês já devem saber que os tribunais proibiram minha candidatura a presidente da República. Na verdade, proibiram o povo brasileiro de votar livremente para mudar a triste realidade do país", afirmou Lula em carta lida pelo advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, no terreno da vigília petista, em frente à Polícia Federal, em Curitiba, onde o ex-presidente está preso desde abril.

Algumas centenas de militantes de movimentos sociais esperaram por mais de duas horas no frio da tarde em Curitiba a chegada de Haddad e a direção do partido, ouvindo o jingle da campanha, batendo tambores e com ocasionais gritos de Lula livre. O sentimento era de resignação e simpatia, mais do que entusiasmo, por Haddad como o homem que vai levar adiante o projeto de Lula.

Condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) por corrupção e lavagem de dinheiro no processo do tríplex do Guarujá, Lula teve sua candidatura presidencial barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com base na Lei da Ficha Limpa. O prazo para a substituição da cabeça de chapa se encerrava nesta terça-feira.

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, também anunciou a deputada estadual Manuela D'Ávila, do PCdoB, como nova candidata a vice-presidente, no lugar de Haddad, confirmando o que tinha sido acertado entre os dois partidos quando selaram a coligação presidencial no início do mês passado.

Além de se defender e atacar o Judiciário e a imprensa, Lula usou a carta para fazer o primeiro movimento no esforço crucial para as chances do PT voltar a ocupar o Palácio do Planalto, tentar transferir os votos que tinha para o novo candidato. Lula liderava as pesquisas de intenção de voto até ter sua candidatura barrada.

"Minha condenação é uma farsa judicial, uma vingança política, sempre usando medidas de exceção contra mim", disse Lula, acrescentando que talvez não estivesse preso se aceitasse abrir mão da candidatura.

"Por isso, quero pedir, de coração, a todos que votariam em mim, que votem no companheiro Fernando Haddad para presidente da República", afirmou. "Nós já somos milhões de Lulas e, de hoje em diante, Fernando Haddad será Lula para milhões de brasileiros."

O desafio da passagem do prestígio de Lula junto ao eleitorado para Haddad não será pequeno. Enquanto o ex-presidente liderava as pesquisas com quase 40 por cento das intenções de voto, o novo candidato apareceu com 9 por cento na pesquisa Datafolha divulgada na segunda-feira.

Em discurso após a leitura da carta, Haddad disse sentir "a dor" dos que "não vão poder votar naquele que gostariam de ver subir a rampa do Planalto e liderar o país a partir de 1º de janeiro".

O ex-prefeito de São Paulo questionou quais seriam os motivos que justificaram o que ele chamou de injustiças contra Lula e citou vários resultados positivos obtidos quando o ex-presidente comandou o país, entre 2003 e 2010.

Haddad procurou motivar a militância e os eleitores do ex-presidente em geral para trabalhar de modo a garantir que conquistas apontadas por ele possam retornar.

"Nós vamos dizer ao povo 'você está sentindo a dor que eu estou sentindo, mas não é hora de voltar para casa de cabeça baixa, é hora de sair para rua de cabeça erguida e ganhar essa eleição'."