Lula diz a senadores que vitória em 1º turno é essencial contra golpismo

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BRASÍLIA, DF, 13.07.2022 - O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), se despede do ex-presidente Lula após almoço com a comitiva de parlamentares do PT e partidos aliados. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
BRASÍLIA, DF, 13.07.2022 - O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), se despede do ex-presidente Lula após almoço com a comitiva de parlamentares do PT e partidos aliados. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - No almoço com parlamentares aliados e com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quarta (13) ser essencial uma vitória sua já no primeiro turno para que não prosperem ameaças de ruptura democrática estimuladas por Jair Bolsonaro (PL) e aliados.

Para isso, segundo relatos de pessoas que participaram da conversa, Lula disse que ele e o PT estão em busca do apoio formal no primeiro turno de quase toda a chamada terceira via --não só do PSD de Gilberto Kassab e do MDB de Simone Tebet, mas também da União Brasil de Luciano Bivar.

Lula esteve terça (12) e quarta em Brasília e participou de diversos encontros políticos, sendo o principal um almoço com Pacheco e parlamentares aliados, na residência oficial da presidência do Senado.

A fala de Lula a senadores se deu após o almoço, em uma roda de conversa em que estavam presentes, além de Pacheco, os senadores Humberto Costa (PT-PE), Jean Paul Prates (PT-RN), Paulo Rocha (PT-PA), Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Alexandre Silveira (PSD-MG), e o deputado federal Reginaldo Lopes (MG), líder da bancada do PT na Câmara.

A reportagem obteve o relato da fala de Lula com três dos participantes dessa conversa. Segundo todos eles, o ex-presidente afirmou ter certeza de que obterá o apoio de MDB -sob o argumento de que o PT cedeu ao partido em dez arranjos políticos estaduais sem pedir nada em troca- e que tem mantido pontes com Bivar, que, segundo ele, "odeia" Bolsonaro.

A União Brasil é fruto da fusão do DEM, adversário histórico do PT, e do PSL, nanico que abrigou a eleição de Bolsonaro em 2018. Lula teria sublinhado aos participantes da conversa que, no sentido de evitar arestas com os adversários históricos, não falou uma palavra crítica em relação a ACM Neto, ex-DEM e secretário-geral da União, na visita recente que fez à Bahia.

O MDB tenta emplacar a candidatura de Tebet, mas está rachado internamente e é alvo de ofensiva do PT.

Na última pesquisa do Datafolha, de 22 e 23 de junho, Lula tinha 53% dos votos válidos. Para ganhar no primeiro turno, é necessário que o candidato some 50% dos votos válidos mais um.

Nessa pesquisa Tebet teve 1% das intenções de voto. Bivar não chegou a pontuar. O cálculo político do PT, porém, parte de duas lógicas. MDB e União Brasil terão razoável tempo de propaganda eleitoral na TV e rádio, o que tende a ampliar a fatia de votos de eventuais candidatos, seja quais forem.

Embora não tenha sido citado no almoço, o PT também tenta obter o apoio do Avante de André Janones, que teve 2% das intenções de voto no último Datafolha.

O PT também pressiona, por meio das bancadas na Câmara e no Senado, uma adesão de Ciro Gomes (PDT), mas o candidato e a cúpula do partido descartam desistência.

Estava também no almoço o pré-candidato a vice, Geraldo Alckmin (PSB), ex-tucano que representa o principal símbolo da movimentação de Lula no sentido de ampliar o seu arco de alianças para além da esquerda tradicional.

Ainda de acordo com relato dos parlamentares que participaram da conversa com Lula, o petista disse que em um cenário normal ele até preferiria uma disputa com dois turnos, o que permite aos dois candidatos da reta final mais oportunidades de debate e de discussão de seus programas. Dessa vez, porém, uma vitória no primeiro turno seria crucial.

A possibilidade de ameaça de ruptura democrática foi o tema central do almoço em si.

O objetivo formal do encontro foi obter de Pacheco uma garantia política de que ele se colocará na linha de frente da defesa de que as eleições serão realizadas sem percalços e que os eleitos serão empossados.

Bolsonaro tem feito reiterados ataques golpistas contra o sistema eleitoral e já deixou claro, assim como aliados, que pode questionar resultado que não seja a sua vitória.

"Nós todos saímos daqui com a garantia de que o presidente do Congresso Nacional, que, como nós temos dito, é a última ratio [último recurso] de defesa da democracia, dará posse aos eleitos no dia 1° de janeiro", afirmou o líder da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues.

Lula manifestou a Pacheco ter absoluta confiança de que o presidente do Senado é a pessoa ideal para conter eventuais avanços golpistas e garantir a normalidade democrática e cumprimento sem ressalvas do resultado eleitoral

Pacheco prometeu que o Congresso Nacional atuará para garantir o respeito ao resultado, disseram senadores, segundo quem o senador afirmou que, na condição de presidente do Congresso, vai reagir diante de qualquer tentativa de ruptura democrática e que vai garantir a posse do ganhador das eleições de outubro.

Pacheco tem destoado da do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), aliado de Bolsonaro e ativo apoiador da reeleição do presidente.

Lira foi alvo de críticas de Lula na roda em que falou da necessidade de sua vitória sem necessidade de uma segunda etapa. O petista teria dito que nunca viu um presidente da Câmara com tanto poder nem mesmo na época de Ulysses Guimarães, que comandou o Congresso Constituinte após a ditadura militar.

Para Lula, Lira teria o objetivo de "acabar" com a oposição.

Lira tem grande influência no Congresso e no governo por meio do controle da distribuição entre os parlamentares das bilionárias emendas orçamentárias da rubrica RP-9.

Segundo o ex-ministro Aloizio Mercadante, que esteve no almoço, Lula afirmou que Bolsonaro e os filhos dele foram eleitos pelas urnas eletrônicas e é importante que o Senado se posicione diante dos ataques ao sistema eleitoral e dialogue com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para fortalecer a corte.

Lula, segundo Mercadante, disse que o presidente busca repetir no Brasil o roteiro do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump --que está sendo investigado por insuflar a invasão do congresso americano, o Capitólio, após a derrota para Joe Biden.

"Nós não podemos aceitar. Esse foi o diálogo, foi muito importante. O Senado é uma instituição democrática, o presidente Rodrigo Pacheco disse que está totalmente comprometido, que é um valor inegociável da democracia o resultado dos votos", disse Mercadante.

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