Lula diz ter “80% do ministério na cabeça”, mas adia divulgação dos nomes

Pressionado por nomes, Lula afirmou que Gleisi Hoffmann continuará à frente do partido e não assumirá ministério algum (REUTERS/Mohamed Abd El Ghany)
Pressionado por nomes, Lula afirmou que Gleisi Hoffmann continuará à frente do partido e não assumirá ministério algum

(REUTERS/Mohamed Abd El Ghany)

  • Lula diz ter "80% do ministério na cabeça";

  • Anúncio dos nomes, no entanto, deve acontecer somente após a diplomação no TSE;

  • Ele não confirmou a escolha por Haddad e Múcio, vistos como favoritos para a Fazenda e Defesa.

O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse nesta sexta-feira (2) que já definiu boa parte de seus ministros, mas que só irá divulgá-los após ser diplomado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A cerimônia está marcada para o dia 12 de dezembro.

"Tenho 80% do ministério na cabeça, mas não quero construir um ministério para mim, quero construir para forças políticas que me ajudaram", disse. "Depois que for diplomado, que for presidente da República reconhecido, aí vou começar a escolher meu ministério".

A declaração foi dada em conversa com a imprensa na chegada ao Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), onde ocorrem os trabalhos da transição de governo. Acompanhado da presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, Lula afirmou que ela permanecerá na liderança do partido e que não assumirá um ministério.

“Achei que é importante não desmontar o partido porque ganhamos a eleição. A companheira Gleisi tem um papel muito importante. O fato de eu ter dito para Gleisi que ela não vai ser ministra é o reconhecimento do papel que Gleisi tem na organização política no Brasil. Quero que vocês saibam que o fato de ela não ser ministra é reconhecimento da grandeza dela. Ser presidenta desde partido hoje é tão ou mais importante do que ser ministra”, pontuou.

O petista relembrou que a base dos ministérios do futuro governo será a mesma da que montou em seu segundo mandato, em 2007, com o acréscimo da pasta que cuidará dos povos originários – ainda com chance de se tornar uma secretaria especial ligada à Presidência.

Lula não respondeu se o ex-ministro da Educação, Fernando Haddad (PT), fará parte dos ministérios que estão decididos em sua cabeça. O ex-prefeito de São Paulo é apontado como favorito para assumir a Fazenda, pasta que junto com a do Planejamento compõe a área econômica do futuro governo.

“Quem ganhou as eleições fui eu e eu obviamente quero ter inserção nas decisões políticas e econômicas desse país”, disse ao ser questionado sobre quem ocuparia a Economia. “O meu ministro da Economia será a cara do sucesso do meu primeiro mandato”.

Sobre o escolhido para liderar a Defesa, Lula se limitou a dizer que “não pode anunciar e dar um passo para trás”, portanto, “quando falar vai ser definitivo”. A expectativa era de que a divulgação acontecesse até a próxima semana.

O favorito para ocupar o cargo é José Múcio Monteiro, ex-ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). O nome já foi apontado pelo vice-presidente Hamilton Mourão como “positivo”.