Lula e Dilma pedem ao Congresso ação contra Bolsonaro por falas no 7 de Setembro

Os ex-presidentes Dilma Rousseff e Lula (PT) enviaram carta para justificar ausência em sessão de celebração do Bicentenário da Independência. (Foto: SILVIO AVILA/AFP via Getty Images)
Os ex-presidentes Dilma Rousseff e Lula (PT) enviaram carta para justificar ausência em sessão de celebração do Bicentenário da Independência. (Foto: SILVIO AVILA/AFP via Getty Images)
  • Carta foi endereçada a Rodrigo Pacheco (PSD), presidente do Congresso

  • Lula diz que Bolsonaro usou data para 'vantagem eleitoral'

  • Já Dilma acusou o presidente de tentativa de golpe

Em ofícios enviados ao Congresso Nacional, os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT) acusaram o presidente Jair Bolsonaro (PL) de “sequestrar” o 7 de Setembro e pediram reação das “autoridades institucionais”. A carta foi enviada para justificar a ausência na sessão que celebra o Bicentenário da Independência do Brasil.

A carta foi endereçada ao presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Nela, o ex-presidente diz que Bolsonaro usou os atos desta quarta-feira (7) para obter “vantagem eleitoral”.

“Em primeiro lugar, pela tentativa escancarada de obter vantagem eleitoral com o uso de recursos públicos. E pelo sequestro de uma data que não pertence a ele, mas à nação brasileira, a exemplo do que tenta fazer com a nossa bandeira e com o verde e amarelo, são patrimônios do nosso povo”, escreveu Lula.

“Ele poderia ter se dirigido ao povo para falar de paz, de harmonia, de geração de emprego, de educação, de saúde, de combate à fome. Mas ele não tem nada a dizer sobre isso, porque não tem nada de positivo para apresentar, nessas ou em quaisquer outras áreas”, continuou.

Já a ex-presidente Dilma acusou o presidente de tentar um golpe no Judiciário e no Legislativo brasileiros.

“Bolsonaro golpeia diuturnamente o Judiciário e o Legislativo, em nome de um projeto de poder autoritário e profundamente desvinculado dos anseios do nosso povo. Que a sociedade acorde e reaja antes que o império do arbítrio recaia sobre o Brasil, a cada momento que o presidente ameaça o Estado Democrático de Direito”, pontuou.

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“Desafortunadamente, o Brasil assiste ao chefe de Estado sequestrar a data histórica em benefício de sua própria candidatura eleitoral, desafiando as leis e ignorando o rito sagrado da função institucional de quem está no comando do país”, continuou.

Ela classificou como “graves” as declarações do presidente.

“É grave o que assistimos ontem. Uma afronta à democracia. Mas, ainda é pior. A autoridade máxima da nação fez isso de maneira desabrida e sem compromisso com o Estado Democrático de Direito, que jurou honrar e respeitar ao ser empossado presidente da República.”