Lula encontra líderes estrangeiros em 1º dia e ouve promessas de retomada de diálogo

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destinou seu primeiro dia de trabalho, nesta segunda-feira (2), para receber, em encontros bilaterais em sequência, uma série de delegações estrangeiras. Entre os líderes que se reuniram com o petista estão os chefes de Estado de Portugal, Espanha e Argentina.

Ao deixar o gabinete do Palácio do Itamaraty, muitos políticos exaltaram o futuro das relações com o Brasil. O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, disse que o Brasil "faz muita falta" no cenário internacional, em referência ao isolamento diplomático imposto pelo governo do agora ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Os encontros com os chefes de governo e de Estado, que viajaram ao Brasil para prestigiar a cerimônia de posse do petista, fizeram com que Lula programasse apenas para esta terça-feira (3) a ida ao velório de Pelé, em Santos. Até as 18 horas, o petista havia recebido dez líderes internacionais.

Lula chegou pela manhã ao Palácio do Itamaraty, em Brasília, para as reuniões. O primeiro encontro foi com o rei da Espanha, Felipe 6º. Na sequência, estavam agendadas outras 16 bilaterais, com autoridades sobretudo da América Latina, mas também de países europeus, asiáticos e africanos.

A agenda internacional extensa logo no primeiro dia de trabalho contrasta com a posição brasileira no cenário internacional durante a gestão Bolsonaro. O primeiro chanceler do antigo governo, Ernesto Araújo, chegou a afirmar que o Brasil era um "pária internacional", ao fazer uma de suas muitas críticas ao sistema multilateral.

Ao chegar à reunião com Lula, o presidente português aproveitou para fazer uma crítica velada aos tempos do antecessor do petista, citando a ausência brasileira nos fóruns internacionais. "Brasil multilateral, Brasil na cena internacional, Brasil nas organizações [internacionais] faz muita falta", afirmou Rebelo de Sousa --com quem Bolsonaro chegou a desmarcar um jantar, gerando certo desconforto diplomático, após o político se encontrar com o petista ainda na época da campanha.

O chefe de Estado português acrescentou que iria tratar da data da viagem do presidente para Portugal. Em novembro, pouco depois de eleito, Lula esteve em Lisboa com Rebelo e o primeiro-ministro, António Costa, em uma escala na volta da COP27, no Egito.

O presidente argentino, Alberto Fernández, aliado histórico do petista, dirigiu a mesma crítica indireta a Bolsonaro, ressaltando a ausência do Brasil em organizações internacionais como algo "evidente". Segundo o político, ele e Lula acordaram em voltar a "colocar em marcha" a relação entre os dois vizinhos.

"Do ponto de vista institucional, foi uma grande reunião, também porque decidimos claramente voltar a colocar em marcha o vínculo entre Argentina e Brasil com toda a força que esse vínculo sempre teve. Nos últimos quatro anos foi difícil, mas acho que agora os dois estamos convencidos da importância desse vínculo e da necessidade de dar a esse vínculo a transcendência que ele merece", afirmou.

Fernández exaltou ainda a tendência brasileira de voltar a priorizar os fóruns regionais da América Latina, como vem sendo dito pelo chanceler de Lula, Mauro Vieira.

"Obviamente que compartilho o desejo de voltar a unir a América Latina como espaço comum. Nós dois achamos que a Celac pode suprir isso, mas não conseguiu a institucionalidade que merece. Seguramente no dia 23 falaremos de tudo isso e no dia 24 nos reuniremos na [cúpula da] Celac, em Buenos Aires. Lula é um líder regional, que vai dar um impulso à América Latina muito importante", disse, em referência à viagem programada do petista para a Argentina, para o encontro do colegiado latino-americano e caribenho.

O chileno Gabriel Boric, outro que teve agenda com Lula, afirmou que um dos assuntos tratados na conversa foi a situação da Venezuela. O líder esquerdista defendeu a reintegração do país em fóruns internacionais.

"Para a solução da crise que a Venezuela viveu nos últimos anos, é relevante que se volte a incorporá-la nos circuitos multilaterais. Os problemas não se resolvem isolando os países."