Lula encontrará comandantes das Forças Armadas após expor desconfianças

***ARQUIVO*** BRASÍLIA, DF,  BRASIL,  16-01-2023, Cerimônia de posse da presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, com a participação do presidente Lula e da primeira dama Janja da Silva e da ministra da Cultura Margareth Menezes, no Centro Cultural Banco do Brasil. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO*** BRASÍLIA, DF, BRASIL, 16-01-2023, Cerimônia de posse da presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, com a participação do presidente Lula e da primeira dama Janja da Silva e da ministra da Cultura Margareth Menezes, no Centro Cultural Banco do Brasil. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deverá ter uma reunião até sexta-feira (20) com o ministro da Defesa, José Múcio, e os comandantes do Exército, da Aeronáutica e da Marinha para discutir a modernização das Forças Armadas.

O encontro ocorrerá uma semana depois de o petista ter demonstrado grande desconfiança com militares que trabalham na segurança do Palácio do Planalto devido à invasão das sedes dos Três Poderes.

Nesta terça-feira (17), Lula dispensou 40 militares que atuavam na Coordenação de Administração do Palácio do Alvorada.

Rui Costa (PT), ministro da Casa Civil, teve uma reunião com Múcio e os chefes das Forças Armadas nesta terça-feira e anunciou que tentará encaixar na agenda de Lula uma reunião com os chefes dos militares até sexta.

Ele defendeu punição a responsáveis por depredar os palácios de Brasília, mas disse que esse não foi o tema do encontro.

A reunião com Lula, segundo ele, também não terá essa finalidade. Costa afirmou que uma das possibilidades para alavancar os investimentos nas Forças Armadas é firmar parcerias público-privadas.

"Outras nações do mundo, por exemplo, nações grandes e desenvolvidas, fazem projeto de PPP para equipar suas Forças Armadas. Com isso, elas conseguem antecipar investimentos que se fossem depender apenas de recurso orçamentário anual não seriam possíveis", afirmou.

Segundo ele, o tipo de investimento que exige as Forças Armadas são adequados à realização de parcerias entre o Estado e a iniciativa privada por se tratarem de contratos de longo prazo.

Além de Múcio, participaram da reunião o comandante do Exército, Júlio Arruda, da Marinha, Marcos Oslen, e da Aeronáutica, Marcelo Damasceno.

O chefe da Casa Civil também anunciou que Lula deve ter uma série de viagens em fevereiro. Ele disse que o objetivo é fazer "agendas casadas de inaugurações com lançamento de programas nacionais nas áreas prioritárias".

A previsão é que vá para o Rio de Janeiro para lançar um programa de redução de filas de cirurgias, para o Pará "anunciar a retomada de investimento público e aceleração de investimentos privadas em saneamento básico" e para a Bahia em inauguração de novos condomínios do Minha Casa Minha Vida.

O encontro ocorre após Lula ter se queixado da atuação das Forças Armadas durante os atos golpistas do último dia 8. Em café da manhã com jornalistas na semana passada, o presidente defendeu Múcio publicamente, mas também fez críticas aos militares.

"Essa a imagem que eu tenho das Forças Armadas. Umas Forças Armadas que sabem que seu papel está definido na Constituição. As Forças Armadas não são o poder moderador como pensam que são. As Forças Armadas têm um papel na Constituição, que é a defesa do povo brasileiro e da nossa soberania contra possíveis inimigos externos. É isso o papel das Forças Armadas e está definido na nossa Constituição. É isso que quero que seja bem feito", disse o petista, em café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto.

Como a Folha de S.Paulo mostrou, Múcio chegou a ser criticado, reservadamente, pelo próprio presidente.

Segundo seus aliados, Lula reclama que o ministro tenha subestimado ameaças à segurança, apostando na saída gradual dos bolsonaristas acampados diante do quartel do Exército em vez de determinar sua retirada.

De acordo com relatos desses interlocutores, o presidente avalia ainda que faltou firmeza a Múcio na relação com os comandantes das Forças Armadas e que o ministro não teria exercido sobre eles qualquer influência.