Lula enfatizou combate a forme em discursos nas posses de 2003 e 2007

*Arquivo* BRASÍLIA, DF,  10.11.2022 - O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva discursa em reunião com parlamentares no CCBB. (Foto: Gabriela Biló/Folhapress)
*Arquivo* BRASÍLIA, DF, 10.11.2022 - O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva discursa em reunião com parlamentares no CCBB. (Foto: Gabriela Biló/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - "A esperança finalmente venceu o medo, e a sociedade brasileira decidiu que estava na hora de trilhar novos caminhos". Com essa frase, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou o seu discurso em 2003, no Congresso Nacional, no dia em que tomou posse para o seu primeiro mandato.

Depois de perder as disputas de 1989 para Fernando Collor (PRN na época) e as de 1994 e 1998 para Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o petista venceu a disputa de 2002 contra José Serra (PSDB) e foi eleito presidente da República.

"Diante do esgotamento de um modelo que, em vez de gerar crescimento, produziu estagnação, desemprego e fome; diante do fracasso de uma cultura do individualismo, do egoísmo, da indiferença perante o próximo, da desintegração das famílias e das comunidades", disse.

"Foi para isso que o povo brasileiro me elegeu Presidente da República: para mudar".

Em boa parte de seu discurso, Lula enfatizou o enfrentamento da fome. Em um dos trechos de sua fala, ele afirmou que, em um país que conta com tantas terras férteis e com tanta gente que quer trabalhar, não deveria haver razão alguma para se falar em fome.

"No entanto, milhões de brasileiros, no campo e na cidade, nas zonas rurais mais desamparadas e nas periferias urbanas, estão, neste momento, sem ter o que comer. Sobrevivem milagrosamente abaixo da linha da pobreza, quando não morrem de miséria, mendigando um pedaço de pão."

Por isso, disse, definiu entre as prioridades de seu governo um programa de segurança alimentar. "Como disse em meu primeiro pronunciamento após a eleição, se, ao final do meu mandato, todos os brasileiros tiverem a possibilidade de tomar café da manhã, almoçar e jantar, terei cumprido a missão da minha vida."

No discurso no parlatório durante a posse de 2003, Lula agradeceu companheiros de partido e a sua então esposa Marisa Letícia.

"Eu tenho plena consciência das responsabilidades que estou, junto com meus companheiros, assumindo nesse momento histórico da nossa vida republicana, mas, ao mesmo tempo, eu tenho a certeza e a convicção de que nenhum momento difícil, nessa trajetória de quatro anos, irá impedir que eu faça as reformas que o povo brasileiro precisa que sejam feitas."

Sobre suas promessas de campanha, Lula afirmou que não fez nenhum plano absurdo.

"O que nós dizíamos, eu vou repetir agora, é que nós iremos recuperar a dignidade do povo brasileiro. Recuperar a sua auto-estima e gastar cada centavo que tivermos que gastar na perspectiva de melhorar as condições de vida de mulheres, homens e crianças que necessitam do Estado brasileiro."

Ainda no parlatório, Lula disse que no dia seguinte à sua posse seria o primeiro dia de combate.

"Eu tenho fé em Deus que a gente vai garantir que todo brasileiro e brasileira possa todo santo dia tomar café, almoçar e jantar porque isso não está escrito no meu programa, isso está escrito na Constituição brasileira, está escrito na Bíblia, está escrito na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Isso, nós vamos fazer juntos."

Já em janeiro de 2007 diante do Congresso, após vencer a reeleição contra Geraldo Alckmin (então no PSDB) e hoje seu atual vice-presidente, Lula afirmou que seu segundo mandato não era apenas a realização de um sonho individual.

"Quatro anos atrás, nesta Casa, em um primeiro de janeiro, vivi a experiência mais importante de minha vida —a de assumir a presidência do meu país", iniciou em seu discurso.

"O que então ocorreu foi o resultado de um poderoso movimento histórico do qual eu me sentia —e ainda hoje me sinto— parte e humilde instrumento".

Lula também falou sobre a sua trajetória de vida, marcada por condições sociais desfavoráveis na infância e relembrou sua vitória em 2003.

"Pela primeira vez, um homem nascido na pobreza, que teve que derrotar o risco crônico da morte na infância e vencer, depois, a desesperança na idade adulta, chegava, pela disputa democrática, ao mais alto posto da República", diz.

Ainda em seu discurso, o petista disse que ele e o Brasil estavam iguais e também diferentes.

"Sou igual naquilo que mais prezo: no profundo compromisso com o povo e com meu país. Sou diferente na consciência madura do que posso e do que não posso, no pleno conhecimento dos limites. Sou igual no ímpeto e na coragem de fazer. Sou diferente na experiência acumulada na difícil arte de governar".

Lula, que viveu a crise do mensalão em seu primeiro mandato, falou ainda sobre a corrupção.

Segundo ele, o Brasil ainda precisava avançar em padrões éticos e em práticas políticas.

"Mas hoje é muito melhor na eficiência dos seus mecanismos de controle e na fiscalização sobre seus governantes. Nunca se combateu tanto a corrupção e o crime organizado. Muita coisa melhorou na garantia dos direitos humanos, na defesa do meio ambiente, na ampliação da cidadania e na valorização das minorias."

Ele terminou sua fala exaltando a escolha da população nas urnas. "Não faltaram os que, do alto de seus preconceitos elitistas, tentaram desqualificar a opção popular como fruto da sedução que poderia exercer sobre ela o que chamavam de 'distribuição de migalhas'''.

No parlatório, em 2007, Lula agradeceu aos trabalhadores, aos estudantes, às mulheres e aos homens pela eleição.

"Este Palácio precisa aprender a receber as minorias marginalizadas deste País. Este Palácio precisa aprender a receber os negros, os índios, as mulheres. E este Palácio precisa aprender a receber aqueles que, muitas vezes, não conseguem nem passar perto do Palácio, quanto mais entrar nele".

Lula falou ainda que sabia o significado das "coisas que nós fizemos, tenho noção que já fizemos muito. Mas, ao mesmo tempo, tenho noção que diante das necessidades do povo e diante da quantidade de décadas e décadas de dívida social com o povo brasileiro, mesmo fazendo muito, nós fizemos muito menos do que aquilo que precisa ser feito para que a gente possa tornar o Brasil um país mais justo".